quinta-feira, 3 de maio de 2012

FILME TETRO NO DIA 07/05 20HS CENTRO DE CULTURA


SINOPSE
Buenos Aires. Bennie (Alden Ehrenreich) reencontra Tetro, o irmão mais velho (Vincent Gallo), que jurou nunca mais ver a família. Outrora um brilhante poeta, Tetro está distante e amargo. Rejeitou o nome e deixou de escrever. Na casa em La Boca, Bennie descobre textos antigos do irmão. Neles estão guardados os segredos daquela família arruinada por rivalidades.
- Filmado na Argentina
- O filme foi todo rodado em cor e depois convertido para preto e branco. Porém o filme não é todo assim, existem cenas com toques de cor e até mesmo cenas completamente coloridas. Coppola diz que foi inspiração de seu filme “O Selvagem de Motocicleta” e que os dois tem uma ligação espiritual.
FICHA TÉCNICA
Diretor: Francis Ford Coppola
Elenco: Vincent Gallo, Alden Ehrenreich, Maribel Verdú, Silvia Pérez, Rodrigo De la Serna, Erica Rivas, Mike Amigorena, Lucas Di Conza, Adriana Mastrángelo, Klaus Maria Brandauer
Produção: Francis Ford Copolla, Gerardo Herrero
Roteiro: Francis Ford Coppola
Fotografia: Mihai Malaimare Jr.
Trilha Sonora: Osvaldo Golijov
Duração: 127 min.
Ano: 2009
País: Estados Unidos/ Itália/ Espanha/ Argentina
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Imovision
Estúdio: American Zoetrope / Zoetrope Argentina / Tornasol Films / BIM Distribuzione / Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales (INCAA) / Televisión Española (TVE) / Canal + España / Instituto de la Cinematografía y de las Artes Audiovisuales (ICAA) / Instituto de Crédito Oficial (ICO)
Classificação: 14 anos


CRÍTICA (Paulo Gadioli – Cineclick)

Logo no pôster principal de Tetro está escrito “do mesmo diretor de Apocalypse Now e O Poderoso Chefão”. Estes dois grandes sucessos realizados ainda quando era jovem parecem assombrar Francis Ford Coppola, assim como os relacionamentos familiares povoam a maior parte das obras do cineasta. Em seu novo filme, o realizador novamente revela, através de um mosaico sentimental, suas próprias incertezas e dúvidas sobre o tema que circunda a maior parte de seus filmes: a família.
Tetro se passa na Argentina e conta a história de Benny, um jovem norte-americano que vai ao encontro de seu irmão, antes um talentoso escritor, mas sumido há anos, supostamente para escrever seu novo livro. Chegando na Argentina, onde Angelo, irmão dele, mora, Benny percebe que a aversão do homem que agora é conhecido como Tetro à família é algo muito grande, até mesmo assustador.
A atuação, ao lado da fotografia, é o principal ponto positivo de Tetro. Vincent Gallo (Brown Bunny) convence como um rebelde rapaz que tenta reconstruir a vida em outro lugar, longe de sua família, Mirabel Verdú vive uma excelente companheira, acostumada aos altos e baixos de seu marido. Mas o grande destaque fica por conta de Alden Ehrenreich, que faz aqui seu primeiro filme de longa metragem e já dá conta do recado, vivendo o curioso irmão Benny, personagem responsável por mover toda a engrenagem da história.
Ao utilizar uma fotografia em preto-e-branco, Coppola consegue criar uma excelente ambientação, jogando bem com as sombras de uma Buenos Aires sombria. Mas, em determinados momentos, como flashbacks e imaginações, o diretor optou por transportar, inadvertidamente, a película para uma imagem colorida. Não fica claro se esta atitude foi tomada por um conceito estético ou por pura presunção de que as pessoas não conseguiriam distinguir as linhas temporais do filme. De qualquer forma, algumas dessas cenas em cor acabam por destruir a imagem séria que o filme vinha construindo já que, com o baixo orçamento que foi planejado, as sequências em que mais se utilizaria efeitos especiais e derivados acabam por deixar a desejar, protagonizando alguns momentos até mesmo de constrangimento.
A trama vai sendo apresentada aos poucos, uma parte pelo próprio Tetro e outra através dos textos que ele havia escrito. Benny, com o auxílio de Miranda, esposa de Tetro, vai encontrando e unindo as peças como se fosse um quebra-cabeça, para entender um pouco mais sobre sua família. O filme começa com fortes luzes estroboscópicas, que se tornam um elemento recorrente no decorrer do filme e que, quando explicadas, passam a justificar o comportamento de Tetro. Assim como essas luzes, o maestro Carlo, pai dos dois irmãos, também é uma figura onipresente no longa, sendo marcado como a figura opressora e inimigo comum dos dois rapazes.
Mesmo com um empolgante início e meio, o longa começa a se perder próximo ao final, após Benny transformar os escritos do irmão em uma peça, que é aclamada pela respeitada crítica Alone, vivida por Carmen Maura. Ela já havia aparecido antes no longa, tendo sido convidada a prestigiar uma encenação de Fausta, uma versão alternativa baseada no famoso livro de Goethe. Esta primeira aparição de Alone pode até ser encarada como um prenúncio das cenas surreais que estariam por vir. 
Durante a viagem que Tetro, junto a seu irmão e o resto do grupo, faz até o festival da Patagônia, onde sua peça será exibida, o longa caminha da seriedade para o absurdo e o perdido, momento que fica muito bem representado pela cena de extremo mau gosto onde, ao procurar desesperada por seu marido, Miranda encontra uma surpresa inesperada na estrada.
Um filme que começa bem e termina mal, em todos os aspectos possíveis. Provavelmente, você não verá nos pôsteres futuros dos filmes de Coppola a anotação “Do Mesmo Diretor de Tetro”, mas, ainda assim, este é um filme que mostra que o cinema de autor ainda pode funcionar na cabeça deste agora velho e experiente senhor de 71 anos.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

ADEUS MENINOS DE LOUIS MALLE DIA 30/04 20HS CENTRO DE CULTURA



SINOPSE
França, inverno de 1944. Julien Quentin (Gaspard Manesse) é um garoto de 12 anos que frequenta o colégio Sr. Jean-de-la-Croix, que enfrenta grandes dificuldades devido a 2º Guerra Mundial. Lá ele se torna o melhor amigo de Jean Bonnett (Raphael Fejto), um introvertido colega de classe que Julien posteriormente descobre ser judeu. A tragédia chega à escola quando a Gestapo invade o local, prendendo Jean, outros dois alunos eainda o padre responsável pelo colégio.

FICHA TÉCNICA
Título original:
Duração:
103 minutos (1 hora e 43 minutos)
Gênero:
Drama
Direção:
Louis Malle
Ano:
País de origem:
FRANÇA
ELENCO:


Gaspard Manesse (Julien Quentin)
Raphael Fejto (Jean Bonnet)
Francine Racette (Madame Quentin)
Stanislas Carré De Malberg (François Quentin)
Peter Fitz (Muller)
Pascal Rivet (Boulanger)
Benoît Henriet (Ciron)
Richard Lebouef (Sagard)
Xavier Legrand (Babinot)
Irène Jacob (Davenne)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Cópia fiel de Abbas Kiarostami dia dia 9, 20h, segunda na Estação Férrea



Se a qualidade de uma obra de arte depende do contexto e está nos olhos de quem a vê, argumenta o escritor inglês James Miller (William Shimell) no começo de Cópia Fiel (Copie Conforme, 2010), então uma falsificação pode ter a mesma validade do original. É como a imagem da Coca-Cola reinventada pela pop art, diz ele, que está na Toscana para divulgar o seu livro, intitulado justamente Cópia Fiel.
Em seu primeiro filme rodado fora do Irã, o mais importante cineasta do país, Abbas Kiarostami, parte desse princípio de Miller para legitimar a sua homenagem a Viagem à Itália. Como no clássico de 1954 de Roberto Rosselini, temos o que normalmente seria uma pequena questão burguesa - os problemas de relacionamento de um casal - amplificada pela concha acústica que é a história da arte europeia. Uma obra depende de seu contexto: entre os muros da Itália, as pequenezas da vida a dois se tornam material de um drama maior.
James Miller precisa voltar para a Inglaterra, mas antes aceita de Elle (Juliette Binoche), uma francesa dona de galeria que há anos vive na Itália com seu filho, um convite para passear pelas ruazinhas da comuna de Lucignano. Passando por um café, os dois são confundidos como marido e mulher, e por brincadeira passam a encenar esses papéis. O momento dessa virada é essencial: James e Elle por uma viela antes deserta, mas que de repente se enche de varais e mulheres e barulhos de bebês. É como se atravessassem um portal para o neorrealismo.
Kiarostami diz que cada um deve interpretar a obra como quiser, mas é inegável que duas obsessões de sua cinematografia iraniana seguem preservadas aqui: as mulheres e o tempo. Em filmes como Gosto de Cereja (1997), a obra que transformou Kiarostami em grife e o cinema iraniano em moda, percebe-se mesmo no mais seco monte de terra o acúmulo do tempo. O tempo, inscrito na paisagem, é que molda os homens. Mas com as mulheres é diferente. Elas vivem no Irã em uma espécie de estado de suspensão, numa semiclandestinidade, e sobre elas o tempo não parece agir. É uma condição trágica, no fundo, e Kiarostami tem passado anos fazendo filmes com close-ups de mulheres para tentar socorrê-las.
Na Europa de Viagem à Itália e de Cópia Fiel, o secularismo permite um acúmulo do tempo distinto do iraniano. É o tempo, por exemplo, que cerca James à esquerda e à direita na cena da foto com a noiva. Lucignano surge constantemente em espelhos, janelas, romanceada por velas, por não dá pra negar a História. Mas enquanto James Miller filosofa contra o "eterno" da arte, contra a mistificação, porque afinal logo retornará para a Inglaterra, a francesa Elle está sofrendo no rosto o peso dos anos mal vividos. Fora do Irã, é sobre as mulheres que age o tempo de Kiarostami.
E se o diretor apega-se ao close-up de Juliette Binoche, que nunca esteve tão bonita e tão vulnerável, é para entender por que tanto sorri essa sua Mona Lisa.

Fonte: http://omelete.uol.com.br/cinema/critica-copia-fiel/





domingo, 1 de abril de 2012

BIUTIFUL SERÁ EXIBIDO DIA 02/04 20HS NO CENTRO DE CULTURA


SINOPSE
Javier Bardem é Uxbal, um herói trágico, pai de dois filhos, e à beira da morte. Ele luta contra uma realidade distorcida e um destino que trabalha contra ele, o impedindo de perdoar e amar. Está frente a frente com um mundo desestruturado e numa espiral decadente de degradação, mas tenta a todo custo manter a dignidade. Paralelamente, a história mostra a complexa situação dos imigrantes na Espanha.
FICHA TÉCNICA
Diretor: Alejandro González Iñárritu
Elenco: Javier Bardem, Blanca Portillo, Maricel Álvarez, Rubén Ochandiano
Produção: Fernando Bovaira, Alejandro González Iñarritu, Jon Kilik
Roteiro: Alejandro González Iñárritu, Armando Bo, Nicolás Giacobone
Fotografia: Rodrigo Prieto
Trilha Sonora: Gustavo Santaolalla
Duração: 147 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: Focus Features / Mod Producciones / Focus Features / Televisión Española (TVE) / Televisió de Catalunya (TV3) / Ikiru Films / Menageatroz
Classificação: 16 anos

CRÍTICA (Heitor Augusto, cineclick)

Alejandro González Iñárritu abandonou as múltiplas histórias entrecortadas e montagem frenética de Babel e Amores Brutos para se dedicar a apenas um personagem. O resultado é Biutiful, no qual o cineasta mexicano mergulha na dor de um pai quase como um processo terapêutico. Um filme propositalmente nauseante e desconfortável.
Se não é superinventivo, Biutiful não deixa de ser sincero. Como realizador, Iñárritu se expõe imensamente e chama um grande ator a fazer o mesmo: Javier Bardem, cujos grandes papéis são os quais ele se apropria da vida de seu personagem e embarca em sua essência, transcendendo a impressão de ser um ator vivendo outra vida para materializar uma pessoa na tela. Bardem incorpora a destruição de Uxbal, quarentão que vive de agenciar imigrantes chineses, além de ser pai de dois filhos pequenos e precisar prepará-los para a morte que se aproxima.
É muito curioso ver como a mesma história, dependendo do cineasta, pode ser contada de três maneiras diferentes. Biutiful concilia o drama de um pai perto da morte com a situação dos imigrantes na Espanha. Já vimos um ótimo filme sobre uma pessoa que prepara os familiares para sua morte, O Grão, cujo ritmo cinematográfico é dilatado; em relação ao tema da imigração, temos um suspense catártico, Olhos Azuis, com ótima atuação de Irandhir Santos.
Mas o que Iñárritu propõe ao embaralhar as duas narrativas é registrar um homem oprimido ou pela força da natureza (morte, se preferirem) ou pelo caldo social. Uxbal não tem escapatória, um herói retirado de uma tragédia. Assim, é mais que bem-vinda a narrativa circular de Biutiful. 
Uxbal está frente a frente com um mundo desestruturado, coisa que a câmera de Iñárritu não deixa de notar e ressaltar. Tanto o cineasta quanto o fotógrafo Rodrigo Prieto privilegiam o arco de degradação pela qual passa o protagonista. Uxbal está em queda livre e, mesmo tentando manter a dignidade, Biutiful sabe qual será seu destino e não sonega isso do espectador.
Do lado de fora da casa de Uxbal, está o mundo. Lá a situação é pior ainda, especialmente se você é imigrante em um subemprego qualquer na Europa. Aí, Iñárritu volta a trazer a política para seus filmes, assim como fizera em Babel, a partir de dramas familiares. Mas, sejamos sinceros, nesse novo filme, o que importa mesmo é Uxbal.

Biutiful
 atinge a intensidade pretendida ao sufocar seu personagem. Mesmo sem um roteiro poderoso, Iñárritu tenta consertar quase tudo na câmera. Na maioria das vezes consegue e apresenta um filme deliberadamente desconfortável. Assim como a vida de Uxbal, que de biutiful, como escreve sua filha, não tem nada.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

TV estatal da Argentina lança canal para exibir cinema nacional

Foi lançado na Argentina o primeiro canal de televisão digital com dedicação exclusiva a produções cinematográficas, o IncaaTV. O canal difunde filmes as 24 horas do dia, dos quais 70% são de produção argentina, 20% ibero-americana e o restante 10% está dedicado a obras realizadas em outras línguas. “É aposta em marcha de um projeto longamente sonhado, como é o de agrupar em um canal de difusão pública a arte cinematográfica argentina, seus atores, produtores e diretores de todas as épocas”, assinalou a presidente argentina, Cristina Kirchner.
Ressaltou a importância que tem a difusão da sétima arte para o enriquecimento pessoal e educativo; e elogiou o amplo crescimento das produções argentinas, ao lembrar que, no ano passado, o filme “O segredo de seus olhos”, do diretor Juan José Campanella, foi ganhador do Oscar como melhor filme estrangeiro.
“Necessitamos continuar pondo o acento no trabalho dos atores, na produção nacional (…) este setor reúne duas coisas fundamentais: ser uma poderosa indústria e ser arte, uma combinação fantástica que gera trabalho e gera identidade e expressão de uma sociedade”, asseverou Cristina.
O funcionamento da TV digital começou em janeiro passado com a distribuição gratuita de 3 milhões de decodificadores às classes menos favorecidas, que também receberam financiamento para comprar ou atualizar seus televisores.
O sistema digital, liderado pela TV Pública, o Canal 7 (canal7.com.ar) inclui outros 40 canais, incluindo um todo de notícias, outro de esportes, educação, cinema, infantil, novelas etc, com os sinais sendo emitidos pela empresa estatal de satélite ArSat, chegando a 17 cidades do país. O objetivo é atingir com os sinais todo o território nacional.
A ampla programação pode ser conferida no site www.incaatv.gov.ar

Vejam que beleza, 24 horas de filmes e é TYV estatal. Cristina está de parabéns.
Célia Zingler

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Hoje na Estação às 20 horas: Chinatown, de Roman Polanski

Chinatown
Sinopse
Los Angeles, 1937. J.J. Gittes (Jack Nicholson), um detetive particular, recebe a visita de uma mulher que deseja contratá-lo, pois acredita que seu marido, o engenheiro-chefe do Departamento de Águas e Energia, tem um caso. Porém, Gittes logo descobre que sua cliente na verdade era uma farsante, mas a verdadeira Evelyn Mulwray (Faye Dunaway) o encontra. Quando o marido aparece morto no reservatório de água da cidade, Gittes percebe a gravidade do caso. Seu envolvimento leva-o a ser atacado por gângsters e, após manter um romance com Evelyn, descobre que ela é filha de Noah Cross (John Huston), um dos homens mais poderosos da cidade. Gittes desconfia então que Cross, um rico proprietário que tem interesses ilícitos nas terras próximas ao reservatório, teve uma relação incestuosa com a filha, nascendo daí a jovem vista com o marido de Evelyn.

Ficha técnica

título original:Chinatown
duração:02 hs 10 min
ano de lançamento:1974
direção: Roman Polanski
roteiro:Robert Towne
produção:Robert Evans
música:Jerry Goldsmith
fotografia:John A. Alonzo
direção de arte:W. Stewart Campbell
figurino:Anthea Sylbert
edição:Sam O'Steen

Elenco
Jack Nicholson (J.J. Gites)
Faye Dunaway (Evelyn Cross Mulwray)
John Huston (Noah Cross)
Perry Lopez (Tenente Lou Escobar)
John Hillerman (Russ Yelburton)
Darrell Zwerling (Hollis I. Mulwray)
Diane Ladd (Ida Sessions)
Roy Jenson (Claude Mulvihill)
Richard Bakalyan (Detetive Loach)
Joe Mantell (Lawrence Walsh)
Bruce Glover (Duffy)
Nandu Hinds (Sophie)
Belinda Palmer (Katherine Cross)
Roman Polanski (Homem com uma faca)

terça-feira, 25 de maio de 2010

As sessões de 2010 até agora (abril/maio)

24/05/2010
Down By Law
Sinopse: O diretor de "Estranhos no Paraíso", Jim Jarmusch, melhora seu estilo estático e impassível, perminindo aos personagens desse "Dawn By Law" um pouco mais de vida. Na verdade, ele parece está mais otimista em relação a atividade. Ele coloca no filme o energético comediante italiano Roberto Benigni, que parece com um boneco Kewpie de cabelos negros. Seus momentos vívidos inspiram seus companheiros letárgicos (John Lurie, Tom Waits) a falar, cantar, e, resumindo, relaxar um pouco. Os três ne encontram na mesma cela da cadeia e eventualmente acabam escapando juntos. "Dawn By Law" provavelmente figura como uma das melhores comédias da década.

Direção: Jim Jarmusch
Elenco: John Lurie, Tom Waits, Roberto Benigni, Ellen Barkin
Cor, 35mm, 90 Min
USA, 1986

17/05/2010
A vida secreta das palavras
La Vida Secreta de las Palabras
Hannah (Sarah Polley) tem 30 anos, é introvertida, solitária, misteriosa e trabalha numa indústria têxtil. Ela vai passar as férias num pequeno povoado costeiro, em frente a uma plataforma petrolífera. Um incidente faz com que ela permaneça alguns dias na plataforma cuidando de Josef (Tim Robbins), que sofreu uma série de queimaduras que o deixaram cego temporariamente. Com ele trabalham vários outros homens, cada um com uma personalidade marcante.

A vida da reservada Hannah se resume a seu trabalho numa indústria têxtil. Um dia o patrão praticamente a obriga a tirar férias, o que a deixa desnorteada. Sem saber como passar o tempo, ela arruma uma ocupação inusitada: ir para uma plataforma petrolífera cuidar de Josef, um funcionário que sofreu um grave acidente. Ele tem queimaduras por todo o corpo e está temporariamente cego. A princípio, parece tratar-se de um filme sobre a incomunicabilidade humana. Além de Hannah e Josef, todos a bordo da plataforma parecem estar ali por uma tendência ao isolamento. Tão envolvidos com seus próprios fantasmas que é como se estivessem sozinhos. O filme começa frio, impessoal como a protagonista prefere manter suas relações. Mas, progressivamente, a dolorida história de Hannah vai se revelando e ganhando o espectador. Há muito mais sobre a personagem do que se supõe numa primeira leitura. A mulher retraída, solitária e que gosta que assim o seja é uma percepção correta, porém superficial. E é justamente quando o filme começa a revelar o porquê do seu comportamento que certas passagens mostradas anteriormente ganham um sentido mais amplo, como, por exemplo, a obsessão de Hannah com as barras de sabão. Mas é um significado mais sugerido do que imposto. Sutilezas da direção da promissora Isabel Coixet, que também realizou o sensível "Minha vida sem mim". Outro ponto alto são as interpretações comoventes de Sarah Polley e Tim Robbins. Todos os diálogos entre os dois são repletos de emoção genuína. Há, ainda, um pequeno mimo para os fãs de "Casablanca": é possível reconhecer a citação quase literal de uma famosa fala de Humphrey Bogart.

duração:01 hs 55 min
ano de lançamento:2005
site oficial:http://www.lavidasecretadelaspalabras.com/
estúdio:El Deseo S.A. / Hotshot Films
distribuidora:Europa Filmes
direção: Isabel Coixet
roteiro:Isabel Coixet
produção:Esther García
fotografia:Jean-Claude Larrieu
direção de arte:Nigel Pollock
figurino:Tatiana Hernández
edição:Irene Blecua

10/05/2010
A banda
Uma pequena banda da polícia egípcia chega a Israel. Eles vieram para tocar na cerimônia de inauguração de um centro cultural árabe. Porém, por causa da burocracia, falta de sorte e outros imprevistos, são esquecidos no aeroporto. A banda tenta se deslocar por conta própria, mas vai parar numa pequena e quase esquecida cidade israelense, em algum lugar no coração do deserto.

A Banda
Celso Sabadin
De tempos em tempos, aparece um filme que comprova, mais uma vez, a força e o valor da simplicidade. Quanto mais o cinema se perde em efeitos pirotécnicos, montagens estroboscópicas, tomadas de câmera mirabolantes e trilhas sonoras intermitentes, mais a sobriedade narrativa encontra seu espaço e conquista fãs em todo o mundo cinematográfico. A mais recente prova disso é a co-produção Israel/ França/ EUA A Banda . Até o momento, o filme já ganhou mais de 20 prêmios em festivais tão diferentes como Cannes, Copenhaguen, Porto, Montreal, Munique, Sarajevo e Tóquio, entre outros. E tudo isso por saber contar uma história tão simples quanto envolvente e significativa. A trama começa quando uma pequena banda da polícia egípcia desembarca em Israel e não há ninguém no aeroporto para buscá-los. Imediatamente, se instala um clima de estranheza. Os homens vestidos de azul contrastam com o pálido tom de areia do lugar. A direção de arte é rude, árida e gráfica. Este pequeno grupo, forte representante da cultura árabe, se vê perdido de uma hora para outra em pleno Israel, sem ter a quem recorrer. Num ato de autonomia, tentam andar pelas próprias pernas e procurar, de qualquer maneira, o local onde deveriam se apresentar. Acabam chegando num vilarejo desértico, à beira do nada, onde procuram pelo tal Centro de Cultura Árabe onde estaria marcada a apresentação da banda. Uma das moradoras é enfática: “Aqui não tem cultura árabe. Nem cultura judaica. Nem cultura nenhuma...” A partir daí, os integrantes do perdido grupo musical se vêem numa espécie de limbo social, um lugar onde parece que o mundo parou, onde o choque cultural é o maior catalisador para que se comprove novamente que, seja no Egito, em Israel ou no lugar mais desolado do mundo, os seres humanos no fundo são todos iguais. E só desejam a simplicidade do complicado ato de ser feliz. Um trabalho notável do roteirista e diretor praticamente estreante Eran Kolirin, nome muito mais associado à televisão de Israel que propriamente ao cinema.

Elenco:: Shlomi Avraham, Saleh Bakri, Ronit Elkabetz, Sasson Gabai, Uri Gavriel, Imad Jabarin, Ahuva Keren, François Khell, Hisham Khoury, Tarak Kopty
Origem: Israel/ França/ EUA
Dirigido por: Eran Kolirin
Produzido por: Ehud Bleiberg, Koby Gal-Raday, Guy Jacoel, Eylon Ratzkovsky, Yossi Uzrad
Fotografia:Shai Goldman
Trilha Sonora:Habib Shadah
Duração: 87 min.
Lançamento: 20 de Jun, 2008

03/05/2010
Cerejeiras em Flor
Quando descobre que seu marido tem pouco tempo de vida, Trudi não sabe se deve contar a ele a verdade. Em vez disso, ela decide planejar com Rudi uma viagem, para que aproveitem bem estes últimos momentos juntos. Sonhando conhecer o Japão, país pelo qual é apaixonada, a mulher decide que este será o destino do casal, mas que antes eles irão até Berlim, para fazer uma última visita a seus dois filhos que moram lá.
A viagem, porém, não é como eles imaginavam, já que os filhos sequer têm tempo de dar qualquer atenção aos dois. Quando seguem sua viagem, o inesperado acontece e Trudi morre. Ainda sem saber que também tem pouco tempo de vida, Rudi decide fazer uma homenagem à esposa, então continua com os planos e vai até o Japão. Lá, após conquistar a amizade de uma jovem, Rudi percebe os sacrifícios que sua mulher havia feito por amor a ele.
Hanami- Cerejeiras em Flor é dirigido pela alemã Doris Dorrie, cineasta de sucesso nos anos 80. Na época, a diretora de Elas Me Querem e Dinheiro, Dinheiro, Dinheiro, fez sucesso com comédias populares que satirizavam a imagem do homem. O filme foi indicado ao Urso de Ouro no Festival de Berlim de 2008, e exibido na 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Duração: 127 min
Título Original: Kirschbluten - Hanami.
Origem: Alemanha / França, 2008.
Direção: Doris Dorrie.
Roteiro: Doris Dorrie.
Produção: Harald Kugler e Molly Von Furstenberg.
Fotografia: Hanno Lentz.
Edição: Frank C. Muller e Inez Regnier.
Música: Claus Bantzer. ::..
Elenco : Elmar Wepper, Hannelore Elsner, Aya Irizuki, Maximilian Brückner, Nadja Uhl, Birgit Minichmayr, Felix Eitner, Floriane Daniel, Celine Tanneberger, Robert Döhlert, Tadashi Endo, Sarah Camp, Gerhard Wittmann e Veith von Fürstenberg.

26/04/2010
O segredo de seus olhos
Durante 25 anos um crime permaneceu sem solução na memória de Benjamín Espósito. Agora, bem
mais maduro, ele decide voltar a essa história, questionando de novo aquele passado de amor, morte e amizade. Porém, essas recordações, postas em liberdade, lembradas tantas vezes, mudaram

Origem: Argentina e Espanha
Estréia 26 de Fevereiro de 2010
Direção: Juan José Campanella
Roteiro: Juan José Campanella e Eduardo Sacheri
Duração: 127 min
Ano: 2009

domingo, 13 de dezembro de 2009

Ultima sessão 2009

Caros Amigos
Estaremos exibindo nesta segunda-feira, dia 14 de dezembro, o filme Um truque de luz, do diretor alemão Wim Wenders. Segue mais informações abaixo.
Retomaremos a nossa programação a partir de março. Um feliz 2010 à todos!
Abraço,

Diretoria Associação dos Amigos do Cinema

Um Truque de Luz
(Die Gebrüder Skladanowsky)

Essa é a história de Gertrud, a menina que foi testemunha do nascimento do cinema, já que era filha de um dos irmãos Skladanowsky, inventores do bioscópio, a primeira versão do projetor de filmes. Com bom-humor e paixão, Wim Wenders resgata de forma carinhosa as muitas experiências com as imagens de Max e Emil, que se dedicaram de corpo e alma àquela forma de arte até então desconhecida.

Elenco: Lucie Hurtgen-Skladanowsky Nadine Buettner Udo Kier George Inci
Diretor: Wim Wenders
Duração: 79 min
Gêneros: Drama

domingo, 6 de dezembro de 2009

Sessão de 07 de dezembro de 2009


Na sessao exibiremos o drama frances Betty Blue. Segue mais detalhes do filme abaixo:

sinopse:
No sul da França, Zorg (Jean-Hughes Anglade) trabalha como zelador e dá manutenção para 500 bangalôs, além de tomar conta deles. Ele leva uma vida quieta e calma, escrevendo no tempo de folga. Um dia Betty (Béatrice Dalle) entra em sua vida. Ela é uma mulher jovem e bela, mas também dona de um temperamento imprevisível e instável. Após uma briga com o chefe de Zorg, ela põe fogo no bangalô onde moram. Betty e Zorg rumam para Paris, onde decidem começar um vida nova. Lá ambos vão trabalhar como garçons no restaurante de Eddy (Gérard Darmon), um amigo. Betty, que viu um manuscrito de Zorg, crê que ele seja um grande escritor e não aceita que ele sirva mesas ou faça biscates. Assim datilografa o texto e manda para todos os editores da cidade, mas vários recusam dizendo que aquilo é um lixo, o que deixa Betty inconformada. Quando morre a mãe de Eddy, que morava a 900 quilômetros de Paris, Betty, Zorg e Lisa (Consuelo De Havilland), a namorada de Zorg, também vão ao enterro. Após o funeral Eddy propõe, que Zorg e Betty fiquem no lugar, tomando conta de uma loja de pianos da sua falecida mãe. Os dois aceitam prontamente, pois adoram o lugar, mas nem tudo sai como o esperado em razão do temperamento difícil de Betty estar saindo do controle.

Ficha técnica:

* título original:Betty Blue
* gênero:Drama
* duração:01 hs 56 min
* ano de lançamento:1986
* site oficial:
* estúdio:Cargo Films / Constallation
* distribuidora:Gaumont / Flashstar Home Video
* direção: Jean-Jacques Beineix
* roteiro:Jean-Jacques Beineix, baseado em livro de Philippe Djian
* produção:Jean-Jacques Beineix e Claudie Ossard

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

No dia 19 de dezembro, comemoraremos os 160 anos de imigração alemã. Estamos organizando uma programação nesta semana com várias atividades e sugiro a apresentação de um filme alemão na sessão da segunda dia 14. Peço que sugiram títulos. Eu e o Daniel conversamos e eu sugeri o filme "Um truque de luz" do Wenders que fala da invenção deo cinematógrafo. Obrigado

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Sessão dia 30 de Novembro de 2009



Em nossa tradicional sessão, hoje (30/11/09)exibiremos o drama francês "Uma amizade sem fronteiras" (França, 2003).

Aguardamos todos!

Diretoria Associação dos Amigos do Cinema

Sinopse: Durante o início da década de 60, Paris, como a maior parte da Europa, era uma explosão de vida. Conforme o velho dava lugar ao novo, tudo estava fluindo na cidade, cheia de energia que prometia mudanças culturais e sociaia. Com esse cenário, em uma vizinhança de trabalhadores, dois personagens distintos - um jovem judeu e um mulçumano idoso - começam uma amizade. Quando encontramos Momo (Pierre Boulanger) ele é um orfão de onze anos embora viva com seu pai, um homem lentamente se deteriorando em uma depressão. Seus únicos amigos são as prostitutas que o tratam com afeição genuína. Momo faz suas compras em uma loja da vizinhança, um lugar escuro e lotado administrado por Ibrahim (Omar Sharif), um homem exótico que vê e sabe mais do que deixa transparecer. Depois que Momo é abandonado por seu pai, Ibrahim se torna o único adulto na vida de Momo. Juntos começam uma jornada que irá mudar suas vidas para sempre.

FICHA TÉCNICA

* título original:Monsieur Ibrahim et les Fleurs du Coran
* gênero:Drama
* duração:01 hs 35 min
* ano de lançamento:2003
* site oficial:http://www.sonyclassics.com/ibrahim/
* estúdio:France 3 Cinéma / ARP Sélection
* distribuidora:Sony Pictures Classics
* direção: François Dupeyron
* roteiro:François Dupeyron, baseado em livro de Eric-Emmanuel Schmitt
* produção:Laurent Pétin e Michèle Pétin
* música:
* fotografia:Rémy Chevin
* direção de arte:
* figurino:Catherine Bouchard
* edição:Dominique Faysse

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Caros amigos. Repasso material da Mostra de Cinema Cubano do Cine-Bancarios.

http://diariogauche.blogspot.com/2009/09/o-olho-da-revolucao.html

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Dois documentários nesta segunda

Caros Amigos do Cinema,
nesta segunda-feira dia 21/09 a Associação dos Amigos do Cinema estará exibindo dois documentários ao mesmo tempo em dois locais diferentes. Em nossa tradicional sessão das 20 horas na Estação Férrea vamos exibir o documentário canadense As origens da agressão, numa promoção conjunta com a Secretaria Municipal de Saúde dando início à semana de Prevenção à Violência em nossa cidade.
E no Cine Santa Cruz, numa parceria com os cursos de Relações Internacionais e de Ciências Sociais da Unisc, será exibido, a partir das 19h30 min, o documentário francês Globalização: diálogo ou violência.

Ambos os filmes serão seguidos de debates. As origens da agressão terá como debatedores o sociólogo Caco Baptista e o neuropediatra Cristiano Freire. E Globalização: violência ou diálogo terá como debatedores o sociólogo Valter Freitas e o economista Heron Begnis.
Ambas as sessões são abertas ao público e gratuitas (no Cine Santa Cruz será cobrado ingresso de R$ 5,00 para os não-associados).

Mais detalhes sobre na postagem abaixo.

Sessão de 21 de setembro no Centro de Cultura da Estação Férrea: As Origens da Agressão

Em uma ação conjunta com o Comitê de Prevenção à Violência de Santa Cruz do Sul, os Amigos do Cinema farão uma sessão especial do documentário canadense As Origens da Agressão. A sessão será seguida de debate com o sociólogo Caco Baptista e o neuropediatra Cristiano Freire e marca o início das atividades da semana de prevenção à violência em Santa Cruz.

Sinopse
O filme documentário “As origens da agressão” apresenta as origens da agressividade humana a partir de um estudo realizado pelo Centro de Excelência para o Desenvolvimento da Primeira Infância, da Universidade de Montreal, no Canadá, e levanta o seguinte questionamento: “Será que os gestos de agressão física começam mesmo na adolescência?”. O coordenador do grupo que realizou o estudo, professor Richard Trembley, investiga, a mais de vinte anos, o desenvolvimento de milhares de crianças e adolescentes. Tendo em vista os repetidos insucessos no trabalho de reabilitação de criminosos perigosos que desenvolvia com adolescentes e adultos ele decidiu entender o desenvolvimento do comportamento violento a partir dos primeiros anos de vida . Outros importantes pesquisadores e estudiosos participam do documentário, que foi traduzido para o português pelo Conass – Conselho Nacional de Secretários de Saúde e apresenta uma surpreendente carreira internacional, já tendo sido exibido nas emissoras públicas de televisão de países como Suécia, Itália, Estados Unidos, França e Israel, além de ter sido adquirido por numerosas universidade em todo o mundo.
É a agressividade humana um comportamento inato ou um resultado da educação? Dedicando um olhar atento sobre as agressões das crianças e a evolução de seu comportamento para o auto-controle e a cooperação, este filme coloca luzes sobre a questão e nos oferece uma ampla visão das principais descobertas científicas sobre o tema através de entrevistas com pesquisadores de diversas áreas (incluindo um ganhador do prêmio Nobel). Com imagens surpreendentes de crianças extravasando seus impulsos agressivos, este documentário fascinante examina os complexos fatores que afetam a socialização do comportamento agressivo entre os humanos, abordando os componentes biológicos, ambientais e psicológicos da agressividade e oferecendo orientações para a prevenção da violência humana.

Ficha
Título: Aux origines de l'agression : la violence de l'agneau
Direção: Jean-Pierre Maher
Produção: Jean Gervais, Ph. D. e Richard E. Tremblay, Ph. D.
País: Canadá
Duração: 50 min 24 s
Ano: 2005
Idioma: francês (com legendas em português)

domingo, 13 de setembro de 2009

Sessão 14 de setembro de 2009

Caros amigos
Nesta segunda feira dia 14/09 estaremos exibindo o drama frances O Corte, de Costa-Gavras. Aguardamos por todos. Saudacoes,


Sinopse
Após quinze anos de leais serviços como executivos de uma fábrica de papel, Bruno D. é despedido com centenas dos seus colegas devido a corte de despesas.Três anos se passam sem que ele encontre um novo emprego. Agora ele está disposto a tudo para conseguir um novo posto, inclusive a partir para a ofensiva...

Informações Técnicas
Título no Brasil: O Corte
Título Original: Le Couperet
País de Origem: Bélgica / França / Espanha
Gênero: Drama
Classificação etária: 14 anos
Tempo de Duração: 122 minutos
Ano de Lançamento: 2005
Site Oficial:
Estúdio/Distrib.: Pandora Filmes
Direção:



O Corte
(Couperet, Le, 2005)

Por Ary Monteiro Jr.
05/06/2006
Costa-Gavras arrisca uma comédia mas não larga os temas políticos, o desemprego e exclusão levando um cidadão ao limite.

O cineasta Costa-Gavras é conhecido por filmes políticos como Desaparecido ("Missing" de 1982, que recebeu indicações ao Oscar incluindo melhor filme e levou o de roteiro adaptado) e o recente Amém, que lidava com a omissão da igreja ao Holocausto. Em O Corte, ele lida com a questão do capitalismo, ganância corporativa e do desemprego, mas utilizando a melhor forma de crítica, a comédia. Mais precisamente o humor-negro.

Bruno Davert, um executivo da indústria de papéis, está a dois anos sem conseguir emprego e ao ver suas economias chegarem ao fim sente que seu estilo de vida está ameaçado. Isso acaba fazendo com que Bruno enlouqueça e comece a traçar um mirabolante plano para recuperar seu emprego: assassinar o homem que ficou no seu lugar e todos os possíveis concorrentes. Qualquer semelhança com a recente situação da brasileira que mandou matar sua concorrente ao emprego é mera coincidência, mas acaba por trazer a história, por mais absurda que seja, mais próxima de nós. O filme alterna as incursões criminosas de nosso anti-herói com uma outra empreitada igualmente complicada, que é manter sua família na ignorância e unida apesar da crise.

As investidas do desajeitado serial killer rendem risadas e é notável como Gavras sustenta o humor e o suspense após tantos anos de filmes densos e sérios, aqui ele se diverte, inclusive brincando com clichês de filmes americanos como o noticiário de televisão que sempre fala sobre o assunto do filme na hora que os personagens principais estão vendo, ou ao exagerado product placement que pontua o filme inteiro mas você nunca sabe exatamente que produto é. Dividindo boa parte dos méritos está a ótima atuação de José Garcia, que com sua aparência mediocre e ótimo timing consegue convencer a platéia como cidadão comum levado às últimas consequências, mesmo que a verossimilhança de alguns acontecimentos seja duvidosa. Acho que todo mundo que já esteve desempregado por um longo período vai se identificar com o drama e (espero) rir com Bruno.

O Corte só peca por se estender mais do que o necessário, o filme se beneficiaria de uns bons 20 ou até 30 minutos menos. Felizmente ele consegue prender a atenção e ainda tecer um ácido comentário sobre o nosso tempo, onde o homem vale apenas pelo dinheiro e as coisas que possui. O filme chegou a receber duas indicações ao César, melhor ator para José Garcia e melhor roteiro adaptado.

Por Ary Monteiro Jr.
05/06/2006

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Próxima Sessão: 31 de agosto de 2009

Na próxima sessão apresentaremos a comédia britânica Na mira do chefe.
Seguem informações:

Sinopse: Bruges, a mais bem preservada cidade medieval em toda a Bélgica, é um destino acolhedor para os viajantes de todo o mundo. Mas para os atiradores profissionais Ray e Ken, bem poderia ser o seu último destino: um trabalho difícil resultou no envio do par, seguindo ordens de Harry, o chefe Londrino, mesmo antes do Natal, para a cidade Flamenga durante duas semanas, para arrefecer os ânimos. Completamente deslocados no meio da arquitectura gótica, canais e calçadas, os dois homens limitaram-se a ver os dias decorrer, como simples turistas. Ray, ainda assombrado pelo derramamento de sangue em Londres, odeia o local, enquanto Ken, embora mantendo um olhar paternal nas muitas explorações profanas de Ray, vê o seu espírito e alma expandirem-se com a beleza e serenidade da cidade. Mas quanto mais tempo aguardam a chamada de Harry, mais surrealista se torna a experiência, envolvendo-se em estranhos encontros com a população local, turistas, arte medieval , um actor americano anão que grava um filme de arte Europeu, prostitutas holandesas e um potencial romance para Ray sob a forma de Chloë, que também ela parece ter alguns segredos ocultos. E quando chega finalmente a chamada de Harry, as férias de Ken e Ray transformam-se numa luta de vida e morte de proporções cómicas e consequências surpreendentemente emocionais.



Crítica: Celso Sabadin, Yahoo cinema

Que belíssima estréia! Aos 38 anos, o inglês Martin McDonagh escreve e dirige o seu primeiro longa-metragem demonstrando um raro talento: equilibrar com harmonia o drama e a comédia. Delicioso, Na Mira do Chefe começa mostrando os matadores profissionais Ray (Colin Farrell) e Ken (Brendan Gleeson) fugindo para a belíssima cidade belga de Bruges. Ambos precisam ficar por ali à espera de um telefonema do patrão, que passará novas instruções aos assassinos. Enquanto isso, a dupla não consegue se entender: Ken se delicia com o valor histórico e a arquitetura gótica de Bruges, mas Ray só se interessa mesmo por cerveja e mulheres. Na Mira do Chefe é cheio de surpresas. Todas elas muito boas. Melhor ainda que a inteligente construção do roteiro é a precisão e o ritmo dos diálogos – extremamente cínicos e divertidos – a maioria deles otimamente interpretada por um eficientíssimo Colin Farrell. Usando o submundo do crime como pano de fundo, Na Mira do Chefe se apóia no humor sarcástico e em situações inesperadas para abordar temas como culpa, honra, amizade, fidelidade e ética. De quebra, deixa bem clara a bronca que o europeu tem contra os EUA e seus habitantes. Além de uma cena hilariante e politicamente incorreta contra uma família de obesos norte-americanos, o filme destila algumas preciosidades cínicas como esta: - Você é americano? - Sim, mas não use isso contra mim. - Vou tentar. Há também uma série de trocadilhos e mal-entendidos provocados por diferentes sotaques que são intraduzíveis para o português. Na Mira do Chefe une com maestria criminalidade, drama e humor, mas sem cair na (também muito boa) fórmula gráfica desenvolvida por Guy Ritchie em Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes e similares. O filme tampouco segue a linha Tarantinesca de estilização gratuita da violência. Sua força está nas palavras e nas interpretações, ainda que não descuide em nenhum momento do belo visual, amparado pela beleza plástica da cidade onde foi totalmente rodado. É um legítimo representante do saboroso e mundialmente conhecido humor britânico, que andava meio esquecido nos cinemas. Com sórdidas pitadas de humor negro. Ah, e alguém contou: em 107 minutos de filme, a palavra fuck e suas variações são pronunciadas 126 vezes.



Premiações
- Recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Original.

- Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Ator - Comédia/Musical (Colin Farrell), além de ter sido indicado nas categorias de Melhor Filme - Comédia/Musical e Melhor Ator - Comédia/Musical (Brendan Gleeson).

- Ganhou o BAFTA de Melhor Roteiro Original, além de ter sido indicado nas categorias de Melhor Filme Britânico, Melhor Ator Coadjuvante (Brendan Gleeson) e Melhor Edição.


Curiosidades
- A palavra "fuck" e seus derivados são citados 126 vezes ao longo do filme, uma média de 1,18 por minuto.

- As filmagens ocorreram entre 2 de fevereiro e 28 de março de 2007.

- Para criar um clima natalino várias ruas de Bruges foram enfeitadas no final de março. Na época a prefeitura divulgou um comunicado oficial, explicando aos cidadãos o porquê dos enfeites.

- Exibido na mostra Foco Reino Unido, no Festival do Rio 2008
Ficha Técnica
Título Original: In Bruges
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 107 minutos
Ano de Lançamento (Inglaterra / Bélgica): 2008
Site Oficial: www.inbruges.co.uk
Estúdio: Focus Features / Film4 / Blueprint Pictures / Scion Films
Distribuição: Focus Features / Paris Filmes
Direção: Martin McDonagh
Roteiro: Martin McDonagh
Produção: Graham Broadbent e Peter Czernin
Música: Carter Burwell
Fotografia: Eigil Bryld
Desenho de Produção: Michael Carlin
Direção de Arte: Chris Lowe
Figurino: Jany Temime
Edição: Jon Gregory
Elenco
Colin Farrell (Ray)
Brendan Gleeson (Ken)
Ralph Fiennes (Harry Waters)
Clémense Poésy (Chloë)
Jérémie Renier (Eirik)
Thekla Reuten (Marie)
Jordan Prentice (Jimmy)
Elizabeth Berrington (Natalie)
Eric Godon (Yuri)
Sachi Kimura (Imamoto)
Anna Madeley (Denise)
Ciarán Hinds (Padre

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A Morte (La commare secca), de Bernardo Bertolucci. Nesta segunda (17/08), às 20 horas na Estação

A Morte (La Commare Seca), de Bernardo Bertolucci (Itália, 1962)

Sinopse: Inédito no Brasil, A Morte (La Commare Secca) é o primeiro filme do diretor Bernardo Bertolucci. Na periferia de Roma, é encontrado o corpo de uma jovem prostituta brutalmente assassinada. A polícia interroga uma série de suspeitos. No estilo de Rashomon, de Akira Kurosawa, conhecemos as diferentes versões de cada um deles por meio de flashbacks. Quem está contando a verdade? Com roteiro de Pier Paolo Pasolini, Bertolucci constrói um filme fascinante sobre a natureza da verdade e o processo da memória.

Ficha
Direção: Bernardo Bertolucci
Roteiro: Pier Paolo Pasolini
Ano: 1962
País: Itália
Gênero: Drama, Suspense
Duração: 93 min. / p&b
Título Original: La Commare Secca

Elenco:
Gabriella Giorgetti, Giancarlo de Rosa, Vincenzo Ciccora, Alvaro D'Ercole, Romano Labate, Carlotta Barilli, Lorenza Benedetti, Clorinda Celani, Silvio Laurenzi

Detalhes Artísticos
Gêneros: Drama
Temas: Investigações De Assassinato


Crítica
Prosa com poesia, poesia em prosa

Quando rodou o primeiro plano de seu primeiro longa-metragem, Bernardo Bertolucci tinha 21 anos de idade e um livro de poemas publicado. Em set de filmagem, também tivera experiência única, ainda que marcante, como assistente de direção de Acattone – Desajuste Social (1961), de Píer Paolo Pasolini, cineasta então estreante, que se tornou teórico de um “cinema de poesia”. Pois, na entrevista veiculada no DVD de A Morte (La Commare Seca , 1962), Bertolucci lembra da ambição de escrever poesia com sua câmera. Objetivo esse que, segundo sua “fala”, era fruto da inexperiência da ocasião, mas, que no começo dos anos 60 (algo ignorado por ele na edição), foi um dos desafios das experimentações modernas – atualizando uma busca do poético, empreendida, sobretudo nos anos 20, por expressões vinculadas às vanguardas européias.
É evidente nessa primeira obra as marcas de uma poesia visual escrita com a câmera (como os travellings demonstrativos de autoria e reveladores de uma fome de mise-en-scène), assim como está clara a inserção de momentos como “parênteses” do relato, como áreas de escape da narrativa, que a interrompem para se deter no fluxo elíptico das experiências. Mas esses espaços do poético, em geral salientados pelo exibicionismo de uma caligrafia visual, estão a serviço de uma prosa. Há, como núcleo narrativo, a voz de um investigador interrogando suspeitos do assassinato de uma prostituta. Temos a reivindicação da memória do dia e da noite vividos pelos suspeitos nas horas anteriores ao momento do crime. Temos relatos, enfim, um após o outro. E as imagens desses relatos, da tarde-noite dos suspeitos, sucessivamente até o final. Bertolucci trabalha com a poesia dentro dos planos e com a prosa na estruturação das seqüências. Se opera na simultaneidade das ações em um mesmo espaço (a cidade de Roma durante a tarde, o parque Paolino durante a noite), o tempo avança em elipses dentro de uma ordem cronológica em cada bloco, cada um deles composto do mesmo período de horas na vida dos suspeitos. Há linearidade na sucessão dos depoimentos e dentro dos próprios depoimentos.
O que os conecta, além do parque à noite, para onde todos convergem, é uma tempestade. Ao ouvirmos o som de um trovão, em mais de uma oportunidade, vemos um corte para uma janela. Do lado de fora, chuva. De dentro, uma mulher que, depois de aparecer em um primeiro momento acordando, reaparece depois se preparando para a noite. É a prostituta que, após a primeira seqüência, com o corpo estendido ao lado do rio, surge de novo no quarto e, em alguns momentos, entra no campo de visão dos suspeitos no parque. Como os suspeitos também, eventualmente, cruzam uns com os outros, ou pelo menos vêem uns aos outros em suas passagens pelo parque à noite, cria-se uma espécie de “coral”, com uma estrutura que, nos últimos anos, tornou-se moda: uma narrativa abarcando outras, com cada uma delas, em seu transcorrer, fazendo esquinas e intersecções com as demais, com protagonistas de uma história sendo figurantes em outras.
No entanto, em 1962, já havia Rashomon, de Akira Kurosawa, com seu desdobramentos de versões e pontos de vistas sobre um mesmo personagem, de modo a se questionar a verdade em primeiro plano, mas a imagem como verdade em um segundo momento. Se há verdade é móvel, mutante, fluida, movediça, o que resta à imagem, se não reproduzir esse pântano de sentidos? Não podemos esquecer, ainda nesse sentido, dos dois filmes de Alain Resnais (Hiroshima Mon Amour e O Ano Passado em Marienbad), lançados poucos anos antes de La Commare Seca, com um enfoque da memória como labirinto e reinvenção: a memória produz imagens, mas com qual veracidade? Imagens de experiências ou do desejo de experiências?

Bertolucci garante na entrevista já mencionada que não havia assistido Rashomon antes de fazer La Cammare Seca. Não importa. O importante, em uma possível conexão entre os dois filmes, é que, em relação à imagem, Bertolucci preserva seu sentido de documento de verdade. Há um crime, um interrogatório (só com a voz do interrogador), suspeitos e uma punição ao final. Mais importante: chega-se à solução por conta de um “olhar”, de um observador, um homem sem câmera, porém com os olhos abertos, testemunha da violência de seu mundo. Ele viu o crime. Viu uma imagem. E tê-la visto é suficiente para a polícia usar sua visão como prova inconteste. Assim como a descrição da lembrança é prova em si mesma da inocência ou não dos suspeitos. É preciso lembrar em detalhes, ter muitas imagens para contar. La Commare Seca é um exercício de precisão ou de ficção da memória, ou ao menos de crença da polícia e do diretor nessa precisão possivelmente ficionalizada. Nesse sentido, há, sem esse propósito, uma resposta a Resnais. Há um resgate da ameaçada natureza da verdade e da imagem como tal, mesmo sendo uma imagem não reproduzida tecnicamente, mas uma imagem impressa no cérebro.
A presença de Pasolini
La Commare Seca era um projeto de Pasolini com o produtor Antonio Cervi. Bertolucci seria apenas um dos roteiristas. Foi orientado pelo produtor, que queria um sucesso similar ao de Acattone, a fazer algo “pasoliniano” – apesar de Pasolini, naquele momento ter realizado apenas um filme. Excessos do culto ao autor. De acordo com Cervi, Bertolucci fracassou. E graças ao fracasso de ser cover de Pasolini foi convidado a dirigir ele mesmo o filme. Segundo afirma Bertolucci nos extras, seu roteiro pouco tinha a ver com Pasolini, exceção feita à ambientação e aos acontecimentos. Enquanto Pasolini fizera Acattone com closes fixos e frontais, buscando uma poesia das pinturas toscanas, buscando algo de sagrado naqueles rostos do povo, Bertolucci diz ter trabalhado constantemente com os travellings, com a câmera circulando pelos espaços. O estilo do filme nasce, portanto, da negação de seu “mestre”.
Mas é inegável a presença de Pasolini. A aparente simplicidade dos acontecimentos vividos pelos personagens na única tarde e na única noite nas quais são acompanhados pela câmera não esconde uma certa busca de algo especial e extraordinário nesses acontecimentos – como se a ida ao parque à noite carregasse para cada um ali um certo ritual de descoberta ou de confirmação de uma vida dura e desfavorável, uma certa pureza obtida pela experiência no andar térreo ou no subsolo da Ítala do pós-guerra, a Itália dos anos 50, que não havia se transformado em um país dos sonhos.
Cada experiência vivida na Roma do início dos anos 60 é uma imagem daquela cidade naquele momento. É a mesma Roma de A Doce Vida, de Federico Fellini, mas uma outra Roma dentro daquela Roma, uma Roma de periferia, de gente miúda, de rapazes tolos de tão arcaicos, de outros malandros e violentos, de seres sexuamente ambíguos, todos manifestando violência ou desconforto. Não se busca aqui o povo como no neo-realismo, explorando a imagem índice de real, mas um povo cuja imagem está em uma proposta estetizante, construtivista, que explicita suas operações. Esse é o lado poesia de Bertolucci, um poeta da escrita que, em sua primeira experiência como diretor, não abre mão de trabalhar na prosa.
Cléber Eduardo http://www.revistacinetica.com.br/commareseca.htm

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Fôlego, de Kim Ki-Duk. Na próxima segunda (10/08), às 20 horas na Estação Férrea.

Fôlego, de Kim Ki-Duk, é o filme dos Amigos do Cinema na próxima segunda (10/08). Como sempre, às 20 horas na Estação Férrea.

Fôlego, de Kim Ki-Duk
Sinopse
Yeon (Park Ji-a) vive uma vida confortável, mas vazia. Seu marido (Ha Jung-Woo) a trata com indiferença. Quando ele confessa sua infidelidade, Yeon decide ir até a prisão para encontrar Jin (Chen Chang), um assassino que está esperando a execução. Mesmo sem conhecer o prisioneiro, Yeon trata-o como um velho amigo. De início ele não se abre, mas logo as coisas mudam. Os dois então começam um estranho e apaixonante relacionamento. Mas não resta muito tempo para Jin encontrar seu destino final, e Yeon não se conforma em despedir-se dele dessa forma.

Ficha Técnica
Título no Brasil: Fôlego
Título Original: Soom / Breath
País de Origem: Coréia do Sul
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 84 minutos
Ano de Lançamento (Coréia do Sul): 2007
Estúdio: Cineclick Asia / Sponge / Kim Ki-Duk Film
Distribuição: Tartan USA
Direção: Kim Ki-Duk
Roteiro: Kim Ki-Duk
Produção: Sung Jong-Moo
Edição: Wang Su-An

Elenco
Chen Chang (Jin Jang)
Ha Jung-Woo (Marido)
Park Ji-a (Yeon)
Kim Ki-Duk



Críticas -

Resenha crítica do filme "Fôlego" por Rodolfo Lima - Jornalista, ator e crítico de cinema
http://www.cranik.com/filme_folego.html


Fazer algo pelo outro está cada vez mais difícil. Primeiro porque o homem está cada vez mais individualista e segundo por egoísmo mesmo. São tão parcos os recursos que abrir mão em prol do outro está virando atitude rara. Mesmo quando o suposto auxilio nos será benéfico, titubeamos e pensamos duas vezes. Você ajudaria um condenado a morte, sem ao menos saber seus motivos e muito menos os seus?
No filme de Kim Ki-duk (Casa Vazia) uma burguesa entediada com a rotina e com a ausência do marido resolve visitar um presidiário para quem saber assim dar algum sentido para sua tediosa vida. Yeon (Jia Park) começa a visitar Jang (Chang Chen) e suas rotinas são alteradas por tal atitude. De um lado uma mulher que se torna útil para alguém, se vê desejada e esperada. De outro um homem que vê sua vida sendo colorida aos poucos enquanto espera á hora da execução.
Para Ki-duk não há palavras que justifiquem as ações. Não é necessário nomear o feito quando elas vêm carregadas de simbologia e lirismo. Este é o grande trunfo do filme que foi o grande favorito para a Palma de Ouro em Cannes no ano passado. Não levou, mas merecia. É poesia pura.
Mesmo com toda a aridez que o filme registra, desde a casa da protagonista, as ruas e os muros da prisão, a história consegue envolver o espectador com uma sensibilidade rara. Lembro-me de ter sentido isto a última vez quando vi o brasileiro "O Céu de Suely". Sem deixar de ser engraçado e por vezes surreal, o cineasta traça a trajetória de duas pessoas que se cruzam, sem necessariamente pertencerem ao mesmo mundo ou terem que se justificarem por tal diferença.
Num mundo onde cada vez mais somos cobrados a justificar os fins e os meios, e sermos competitivos. Yeon se livra das amarras do seu casamento burguês e machista para tentar assim se salvar da mediocridade. Ela não sabe o que está fazendo, não tem noção dos seus atos, somente age. E tal imprudência faz toda a diferença, pois põe em risco sua família, e faz com que o marido perceba o que está acontecendo e reaja. Quando agimos com este desprendimento de não cometer erros? Quando jogamos tudo para o alto mesmo que isso afete as pessoas que nos rodeia?
"Fôlego" lida com três histórias que se entrelaçam. A história de Yeon e se marido, Yeon e o Jang e Jang e o colega de cela. O amor homossexual é tratado com secura, sem deixar de ser intenso pelo olhar do apaixonado. No isolamento em que se encontram como salvar-se da loucura? Como não perecer de tédio e carência? Amando seu semelhante? Se entregando a uma - outrora - impensável relação homossexual? Não importa. "Fôlego" não julga seus personagens, mesmo quando um deles leva um tapa na cara, é completamente compreensível. Lembrando uma frase do impagável filme "A Professora de Piano": (...) ninguém pode invadir uma pessoa e sair impunemente.
Assim são os personagens de Kim Ki-duk, seres que andam em círculos procurando uma saída para se salvar desta desolação que vai se apropriando dos corações dos homens. Seremos capazes de perdoar e sermos perdoados? Teremos a grandeza que correr atrás do tempo perdido e refazer nossa trajetória com mais dignidade e objetividade? Poderemos enfim encontrar a tão desejada segurança, que infelizmente parece residir no outro?
Não sabemos. Navegamos a espera destas respostas. Ao sair do cinema no final da sessão, fiquei com estas questões me rodeando e me confortando. Se houvesse mais personagens como Yeon no cinema, talvez não fossemos influenciado por tanta estupidez e incoerência e não seriamos tão covardes e imóveis. Agiríamos. Mudaríamos. Renasceríamos.
Não explicito nesta resenha com mais detalhes meus questionamentos, para que você não perca a oportunidade de ser surpreendido, de ser tocado. Em "Fôlego", revelar qualquer detalhe do filme prejudica sua apreciação.
A cena que justifica o nome do filme é de tirar você do encosto da poltrona. É tão improvável e bela que nem sabemos o que pensar, apenas a digerimos num fôlego só, como que estupefatos pelas ações alheias. Inesquecível.



Crítica do filme “Fôlego”por Érika Liporaci, Colunista do Adoro Cinema
http://www.adorocinema.com/filmes/sem-folego-2007/sem-folego-2007.asp

"O coreano Kim Ki-Duk tem um estilo bem particular. Seus personagens são sempre pessoas comuns que, motivadas por sentimentos avassaladores, partem para atitudes nada convencionais. Foi assim como o belo Casa Vazia e o confuso Time. Esse seu novo trabalho talvez seja o mais bem-resolvido de todos, por ter a poesia do primeiro e a ousadia do segundo. Sem Fôlego é de um lirismo e criatividade que encantam, mesmo nas passagens em que a história poderia soar incoerente.
O encontro da jovem desiludida com o assassino (também ele uma pessoa que abandonou todas as esperanças) e a força do sentimento desesperado que nasce entre esses dois condenados é de uma beleza comovente. O modo como Yeon se empenha em tornar os últimos dias de Jin um resumo de tudo que ela poderia lhe oferecer se a vida os tivesse reunido em condições mais favoráveis é algo que traz a salvação dela também, pois encontrou alguém que aprecia e precisa da sua imaginação que até então estava estagnada. Yeon transforma a penitenciária e os poucos minutos de visitação num universo mágico, a ponto de recriar as estações do ano e suas sensações.
É um filme cheio de simbolismo e delicadeza, marcado por uma comunicação mais sensorial do que verbal entre os dois personagens centrais. Também o título é bastante apropriado, já que a respiração está sempre em destaque: ofegante, prazerosa, assustada, enfim, como um termômetro do estado espírito de cada um. E o fôlego - ou a falta dele - é assunto para uma das mais belas cenas que ocorrem entre os personagens."