quarta-feira, 18 de julho de 2012

GERMINAL DIA 23/07/12 20HS CENTRO DE CULTURA


 
SINOPSE O filme retrata o processo de gestação e maturação de movimentos grevistas e de uma atitude mais ofensiva por parte dos trabalhadores das minas de carvão do século 19 na França em relação à exploração de seus patrões.
FICHA TÉCNICA
Direção:Claude Berri
Ano:1993
País: Bélgica, Itália, França
Gênero:Drama
Duração:170 min. / cor
Título Original:Germinal
Elenco: Gérard Depardieu, Renauld, Miou-Miou, Jean Carmet, Jean-Roger Milo, Judith Henr, Laurent Terzieff, Jean-Pierre Bisson, Bernard Fresson, Jacques Dacqmine, Anny Duperey

CRÍTICA João Luís de Almeida Machado (planetaescola.com)
Germinal
Trabalhadores despertos
O título do livro e do filme nos confunde um pouco e, se não estivermos a par da temática da obra de Émile Zola, que deu origem ao filme de Claude Berri, podemos passar por esse filme na locadora sem percebê-lo e sem dar a ele o devido valor. Não nos enganemos, essa produção do cinema francês merece ser vista e apreciada tanto pelos amantes da sétima arte quanto pelos estudiosos da literatura, da história, das relações humanas e dos movimentos de trabalhadores.
"Germinal" refere-se ao processo de gestação e maturação de movimentos grevistas e de uma atitude mais ofensiva por parte dos trabalhadores das minas de carvão do século XIX na França em relação à exploração de seus patrões; nesse período alguns países passavam a integrar o seleto conjunto de nações industrializadas ao lado da pioneira Inglaterra, entre os quais a França, palco das ações descritas no romance e representadas no filme.
A forma contundente como as ações ocorrem no filme tornam a crueza dos acontecimentos extremamente chocante para os espectadores, no entanto, esse discurso um tanto quanto agressivo por parte do diretor Berri tem o firme propósito de conclamar os espíritos da audiência e chamar a atenção para as dificuldades e a rudeza do mundo operário do século XIX.
Vilipendiado, roubado, esgotado, trabalhando em condições totalmente impróprias, inseguro, sujeito a acidentes que podem ceifar-lhe a vida ou decepar-lhe um braço ou uma perna, assim nos é mostrado o proletariado francês nas telas. Inserido na escuridão das minas de carvão, sujo, cumprindo jornadas de 14, 15 ou 16 horas, recebendo salários baixíssimos e tendo que ver sua família toda se encaminhar para o mesmo tipo de trabalho e péssimas condições, pouco resta aos trabalhadores senão a luta contra aqueles que os oprimem.
A obra literária é do período que marca o surgimento da Internacional Comunista, por isso há menções a Marx e Engels e também ao anarquismo (um dos personagens centrais da trama assume o discurso dos pensadores que propuseram o anarquismo até as últimas conseqüências, mesmo tendo em vista as desgraças que isso poderia causar naquele contexto específico).

A história do filme gira em torno de uma família, que se encontra nas mencionadas condições de miséria e penúria listadas nos parágrafos anteriores, o chefe dessa família, vivido pelo grandalhão Gerárd Depárdieu (considerado um dos melhores atores franceses de todos os tempos, que também trabalhou em outros importantes filmes com temática histórica como "Danton - o processo da revolução" e "1492 - A Conquista do Paraíso") se vê então obrigado a tomar providências e para isso é estimulado pela chegada de um novo operário, que já possui vivência em termos de criação e fomentação de movimentos reivindicatórios. O primeiro passo dessa dupla passa a ser, então, criar condições de sobrevivência para os trabalhadores tendo-se em vista que uma greve poderia se prolongar por um longo período de tempo, por isso, criam uma caixa de resistência, com a qual todos os operários deveriam contribuir. A diminuição dos salários e o pouco caso dos patrões em relação à segurança e a saúde dos trabalhadores aumenta ainda mais as tensões.
Paralelamente a história dos trabalhadores podemos acompanhar a burguesia e seu cotidiano de brioches, grandes refeições, luxuosas residências e total descaso em relação ao mundo que existe além dos seus portões.
O contraste também é proposital, tem por objetivo acirrar os ânimos de quem assiste e fazer com que as pessoas tomem partido (obviamente dos trabalhadores), por isso, deve-se destacar quando se trabalhar esse filme, a questão ideológica. Como obra que procurou ser fiel aos acontecimentos do período em que foi escrita, a perspectiva para os operários não é das melhores.

Uma boa reprodução de época, acompanhada por atuações convincentes, a escolha acertada das locações onde o filme foi produzido e a excelente trama que se desenvolve paralelamente as disputas entre burgueses e trabalhadores tornam o filme uma ótima pedida para facilitar o estudo dessa difícil e complicada questão. Assistam!


sexta-feira, 6 de julho de 2012

Documentário "Tradução da Miséria", na sessão do dia 09/07, 20hs no Centro de Cultura.


traducao DVD.jpgA Associação dos Amigos do Cinema de Santa Cruz do Sul convida para a estréia do documentário

"Tradução da Miséria",

 que ocorrerá em nossa sessão do dia 09/07, 20hs no Centro de Cultura.




Tradução da Miséria, documentário em longa metragem criado por Joe Nunes, dirigido e filmado por Christofer Dalla Lana e Diego Dornelles (da Nawall Filmes) e com produção executiva de Vanessa Schuh (da a.g.a. Produções).

O Documentário foi produzido em 2011 e 2012 através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, do MinC (Lei Rouanet) e tem o patrocínio da Proamb Soluções Ambientais, Fiema Brasil, Unicasa, Construtora Dalmas e Bertolini conta o processo de produção da exposição  homônima que o artista plástico Joe Nunes produziu ao entrevistar doze catadores de materiais recicláveis nas cidades de Santa Cruz do Sul, Rio Pardo, Cachoeira do Sul, Lajeado, Encruzilhada do Sul, Cachoeirinha, Gravataí, Porto Alegre, Farroupilha, Caxias do Sul e Uruguaiana.

Por ter um cunho artístico a sua estética diferencia-se dos documentários convencionais, mas nem por isso deixa de retratar uma realidade social. Veremos pela primeira vez catadores falando da sociedade, como sujeitos dela que são, e não a sociedade falando dos catadores com visões distorcidas e preconceituosos.


Após o filme haverá um debate com toda a equipe de produção. 

Atenciosamente,

domingo, 1 de julho de 2012

“ OS DEUSES MALDITOS” DIA 02/07/12 20HS CENTRO DE CULTURA


SINOPSE
Um dos grandes filmes de Luchino Visconti, Os Deuses Malditos (Götterdämmerung, 1969) finalmente é lançado em DVD. Aborda a decadência dos Von Essenbeck, uma família poderosa do ramo siderúrgico, no momento em que Adolf Hitler assume o poder. A partir do assassinato do patriarca da família, o barão Joachim von Essenbeck, Visconti esculpe uma narrativa densa, marcada pelo rigor classico que lhe é peculiar, e investiga a origem do mal na Alemanha do período imediatamente anterior à Segunda Guerra Mundial. Com sequências antológicas, como a de Helmut Berger imitando Marlene Dietrich, em O Anjo Azul, ou a reconstituição do incêndio do Reichstag, em Berlim, em 1933, e da Noite dos Longos Punhais, em 1934, momentos graves, importantes para a consolidação do nazismo, o filme integra a trilogia alemã de Visconti, ao lado de Morte em Veneza (1971) e Ludwig (1972).
FICHA TÉCNICA Ficha Técnica
Título original: (Götterdämmerung, 1969)
Direção: Luchino Visconti
Roteiro: Nicola Badalucco, Enrico Medioli e Luchino Visconti
Fotografia: Pasqualino Di Santis e Armando Nanuzzi
Música: Maurice Jarre
Edição: Ruggero Mastroianni
Elenco: Dirk Bogarde, Ingrid Thulin, Helmut Berger, Helmut Griem,Umberto Orsini, Florinda Bolkan
Duração: 157 min
Classificação: 14 anos
Onde encontrar:
 Vintage Videos
 
CRÍTICA (Luiz Carlos Merten, O Estado de São Paulo)


Luchino Visconti havia iniciado a década de 1960 com uma obra-prima, Rocco e Seus Irmãos, à qual se seguiram O Trabalho, episódio de Boccaccio 70, O Leopardo eVagas Estrelas da Ursa. Mas em 1967/68, ele estava amargurado. Toda a vida Visconti quis adaptar O Estrangeiro, de Albert Camus, mas a viúva do escritor não lhe permitiu atualizar o livro, como queria, e a obra acabada ficou aquém de sua expectativa. Foi nesse quadro que, atento aos movimentos sociais da época - a reação ao Maio de 68, o ressurgimento do (neo)fascismo como força eleitoral na Itália -, ele começou a gestar sua trilogia alemã.

Ela começou com
 Os Deuses Malditos, que agora sai em DVD, prosseguiu com Morte em Veneza e concluiu-se com Ludwig, a Paixão de Um Rei. Os filmes foram surgindo um a cada dois anos - 1969, 1971, 1973. Durante a realização do terceiro, o cineasta sofreu a trombose que o deixou parcialmente paralisado e foi assim, em condições físicas precárias, que prosseguiu sua obra até o fim. Aos que o cobravam o por quê da trilogia alemã, Visconti dizia que o romantismo tedesco havia sido decisivo na sua formação intelectual. E mais - ele estava na Alemanha justamente no começo dos anos 1930, quando os nazistas consolidaram seu poder.

Testemunhara a forma como Adolf Hitler se cercara dos integrantes do que virou umas tropa de choque, os SA, cujo comandante supremo era um homossexual violento (e totalmente devotado ao führer). Já encastelado no poder, Hitler quis se dissociar dos SA e ordenou seu massacre pelo que viria a ser a elite do Reich, os SS. A cena é reconstituída em
 Os Deuses Malditos. Rende um dos momentos mais fortes do filme.
Os Deuses Malditos, The Damned, na versão que a Warner distribuiu internacionalmente.Gotterdamerung, La Caduta degli Dei, O Crepúsculo dos Deuses, na versão europeia. O filme nasceu do encontro de lembranças pessoais e políticas com a apreensão de Visconti pelo que antecipava como futuro da Itália. Pier Paolo Pasolini também advertia em seus escritos - e nos filmes - para a rescalada do fascismo na vida italiana. Tudo isso é verdade, mas o verdadeiro motor para Os Deuses Malditos foi uma reflexão que Visconti já vinha fazendo há algum tempo. 

Depois das sagas familiares de Rocco,
 O Leopardo e Vagas Estrelas, em conversas com sua roteirista Suso Cecchi D’Amico, ele manifestou o desejo de radicalizar a ideia da família como célula social. Surgiram assim os Essenbecks, tão poderosos que a própria condição social lhes permite matar e cometer incesto impunemente. Suso deu o start, mas Visconti precisou de outro roteirista, Enrico Medioli, para dar plena vazão às monstruosidades que perseguem/acometem os personagens de Os Deuses Malditos.

Impunes - era a palavra chave para os homens e mulheres que queria criar. O filme começa com um suntuoso jantar na casa da família protagonista. São industriais do aço e Visconti vai usar o fogo da usina, na abertura e no encerramento, para tecer um cerimonial ajustado às encenações do nazismo, que privilegiavam o fogo. O tom é operístico, wagneriano - uma ópera antinazista. O patriarca da família será morto nessa longa noite de loucuras e o poder será enfeixado por Martin, que vai explorar as divisões internas e lançar Essenbeck contra Essenbeck para reinar no clã.

Martin é interpretado por Helmut Berger, que Visconti havia descoberto - e que também seria o seu Ludwig. Martin é perverso - e bissexual. O grande escândalo na cena desse jantar é quando ele faz seu número de Anjo Azul e aparece travestido como Marlene Dietrich. Homossexualismo, bissexualismo, travestismo, incesto, drogas. Não há limites na escalada de
 Os Deuses Malditos. O clima é de decadência. Visconti, que havia integrado a lente zoom à sua estética - especialmente em Vagas Estrelas -, faz aqui seu filme mais duro. Outra obra-prima. O DVD tem como extras trailers e informações sobre vida e obra do diretor.



quinta-feira, 7 de junho de 2012

FILME POESIA NO DIA 11/06 20HS CENTRO DE CULTURA



SINOPSE
Mija (Jeong-hee Yoon) vive com seu neto nas encostas do rio Han. É uma senhora excêntrica com uma mente inquieta e questionadora. Um dia, ela entra por acaso em uma aula de poesia em um centro cultural na vizinhança e é desafiada pela primeira vez a escrever um poema. Sua busca pela inspiração começa ao observar a beleza do cotidiano, as coisas ao seu redor que ela nunca havia reparado. Mas, quando a realidade se torna cruel, ela é obrigada a ver que o mundo não é tão bonito quanto ela imaginava.
FICHA TÉCNICA
Diretor: Chang-dong Lee
Elenco: Jung-hee Yoon, Hira Kim, Da-wit Lee
Produção: Lee Chang-dong
Roteiro: Lee Chang-dong
Fotografia: Hyun Seok Kim
Duração: 139 min.
Ano: 2010
País: Coréia do Sul
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Imovisio


CRÍTICA (Celso Sabadin, cineclick)

Mija (Jeong-hee Yoon, excelente) é uma simpática sexagenária que vive com seu neto adolescente num pequeno apartamento no interior da Coreia do Sul. Como sua aposentadoria não é suficiente, ela complementa a renda mensal como empregada doméstica de um senhor com dificuldades de locomoção. E ainda assim encontra tempo e energia para fazer um curso de Poesia. Elegante, Mija sempre ostenta um invejável sorriso, até o dia em que o suicídio de uma colega de seu neto vai desencadear uma série de acontecimentos que abalarão o até então sossegado cotidiano de Mija. 

Premiado como melhor roteiro no Festival de Cannes,
 Poesia é um filme que discute valores. Ou a falta deles. A protagonista é uma mulher envolta pela sua época, supostamente mais simples e mais ética que os tempos atuais. Sua vida espartana não lhe tira a elegância de suas roupas, seu sorriso, muito menos sua dignidade. Mas com a força e a inexorabilidade de um rio (metáfora presente da primeira à última cena do filme), a falta de ética e de caráter, em que tudo pode ser comprado, invade sua vida de forma devastadora. De maneira dolorida, ela percebe que existe um preço para tudo. 

O roteirista e diretor Lee Chang-Dong conduz o drama com a leveza que o própro título
 Poesiasugere. A mesma poesia que Mija tentará descobrir no transcorrer de toda a trama e que, num final belissimo (não, não vamos contar), projeta sua própria dor na dor de uma pessoa que jamais conheceu. 

Repare no belíssimo trabalho de Jeong-hee Yoon, veterana atriz coreana que já atuou em quase 200 trabalhos, e que estava afastada das telas desde 1994.
 


quinta-feira, 3 de maio de 2012

FILME TETRO NO DIA 07/05 20HS CENTRO DE CULTURA


SINOPSE
Buenos Aires. Bennie (Alden Ehrenreich) reencontra Tetro, o irmão mais velho (Vincent Gallo), que jurou nunca mais ver a família. Outrora um brilhante poeta, Tetro está distante e amargo. Rejeitou o nome e deixou de escrever. Na casa em La Boca, Bennie descobre textos antigos do irmão. Neles estão guardados os segredos daquela família arruinada por rivalidades.
- Filmado na Argentina
- O filme foi todo rodado em cor e depois convertido para preto e branco. Porém o filme não é todo assim, existem cenas com toques de cor e até mesmo cenas completamente coloridas. Coppola diz que foi inspiração de seu filme “O Selvagem de Motocicleta” e que os dois tem uma ligação espiritual.
FICHA TÉCNICA
Diretor: Francis Ford Coppola
Elenco: Vincent Gallo, Alden Ehrenreich, Maribel Verdú, Silvia Pérez, Rodrigo De la Serna, Erica Rivas, Mike Amigorena, Lucas Di Conza, Adriana Mastrángelo, Klaus Maria Brandauer
Produção: Francis Ford Copolla, Gerardo Herrero
Roteiro: Francis Ford Coppola
Fotografia: Mihai Malaimare Jr.
Trilha Sonora: Osvaldo Golijov
Duração: 127 min.
Ano: 2009
País: Estados Unidos/ Itália/ Espanha/ Argentina
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Imovision
Estúdio: American Zoetrope / Zoetrope Argentina / Tornasol Films / BIM Distribuzione / Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales (INCAA) / Televisión Española (TVE) / Canal + España / Instituto de la Cinematografía y de las Artes Audiovisuales (ICAA) / Instituto de Crédito Oficial (ICO)
Classificação: 14 anos


CRÍTICA (Paulo Gadioli – Cineclick)

Logo no pôster principal de Tetro está escrito “do mesmo diretor de Apocalypse Now e O Poderoso Chefão”. Estes dois grandes sucessos realizados ainda quando era jovem parecem assombrar Francis Ford Coppola, assim como os relacionamentos familiares povoam a maior parte das obras do cineasta. Em seu novo filme, o realizador novamente revela, através de um mosaico sentimental, suas próprias incertezas e dúvidas sobre o tema que circunda a maior parte de seus filmes: a família.
Tetro se passa na Argentina e conta a história de Benny, um jovem norte-americano que vai ao encontro de seu irmão, antes um talentoso escritor, mas sumido há anos, supostamente para escrever seu novo livro. Chegando na Argentina, onde Angelo, irmão dele, mora, Benny percebe que a aversão do homem que agora é conhecido como Tetro à família é algo muito grande, até mesmo assustador.
A atuação, ao lado da fotografia, é o principal ponto positivo de Tetro. Vincent Gallo (Brown Bunny) convence como um rebelde rapaz que tenta reconstruir a vida em outro lugar, longe de sua família, Mirabel Verdú vive uma excelente companheira, acostumada aos altos e baixos de seu marido. Mas o grande destaque fica por conta de Alden Ehrenreich, que faz aqui seu primeiro filme de longa metragem e já dá conta do recado, vivendo o curioso irmão Benny, personagem responsável por mover toda a engrenagem da história.
Ao utilizar uma fotografia em preto-e-branco, Coppola consegue criar uma excelente ambientação, jogando bem com as sombras de uma Buenos Aires sombria. Mas, em determinados momentos, como flashbacks e imaginações, o diretor optou por transportar, inadvertidamente, a película para uma imagem colorida. Não fica claro se esta atitude foi tomada por um conceito estético ou por pura presunção de que as pessoas não conseguiriam distinguir as linhas temporais do filme. De qualquer forma, algumas dessas cenas em cor acabam por destruir a imagem séria que o filme vinha construindo já que, com o baixo orçamento que foi planejado, as sequências em que mais se utilizaria efeitos especiais e derivados acabam por deixar a desejar, protagonizando alguns momentos até mesmo de constrangimento.
A trama vai sendo apresentada aos poucos, uma parte pelo próprio Tetro e outra através dos textos que ele havia escrito. Benny, com o auxílio de Miranda, esposa de Tetro, vai encontrando e unindo as peças como se fosse um quebra-cabeça, para entender um pouco mais sobre sua família. O filme começa com fortes luzes estroboscópicas, que se tornam um elemento recorrente no decorrer do filme e que, quando explicadas, passam a justificar o comportamento de Tetro. Assim como essas luzes, o maestro Carlo, pai dos dois irmãos, também é uma figura onipresente no longa, sendo marcado como a figura opressora e inimigo comum dos dois rapazes.
Mesmo com um empolgante início e meio, o longa começa a se perder próximo ao final, após Benny transformar os escritos do irmão em uma peça, que é aclamada pela respeitada crítica Alone, vivida por Carmen Maura. Ela já havia aparecido antes no longa, tendo sido convidada a prestigiar uma encenação de Fausta, uma versão alternativa baseada no famoso livro de Goethe. Esta primeira aparição de Alone pode até ser encarada como um prenúncio das cenas surreais que estariam por vir. 
Durante a viagem que Tetro, junto a seu irmão e o resto do grupo, faz até o festival da Patagônia, onde sua peça será exibida, o longa caminha da seriedade para o absurdo e o perdido, momento que fica muito bem representado pela cena de extremo mau gosto onde, ao procurar desesperada por seu marido, Miranda encontra uma surpresa inesperada na estrada.
Um filme que começa bem e termina mal, em todos os aspectos possíveis. Provavelmente, você não verá nos pôsteres futuros dos filmes de Coppola a anotação “Do Mesmo Diretor de Tetro”, mas, ainda assim, este é um filme que mostra que o cinema de autor ainda pode funcionar na cabeça deste agora velho e experiente senhor de 71 anos.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

ADEUS MENINOS DE LOUIS MALLE DIA 30/04 20HS CENTRO DE CULTURA



SINOPSE
França, inverno de 1944. Julien Quentin (Gaspard Manesse) é um garoto de 12 anos que frequenta o colégio Sr. Jean-de-la-Croix, que enfrenta grandes dificuldades devido a 2º Guerra Mundial. Lá ele se torna o melhor amigo de Jean Bonnett (Raphael Fejto), um introvertido colega de classe que Julien posteriormente descobre ser judeu. A tragédia chega à escola quando a Gestapo invade o local, prendendo Jean, outros dois alunos eainda o padre responsável pelo colégio.

FICHA TÉCNICA
Título original:
Duração:
103 minutos (1 hora e 43 minutos)
Gênero:
Drama
Direção:
Louis Malle
Ano:
País de origem:
FRANÇA
ELENCO:


Gaspard Manesse (Julien Quentin)
Raphael Fejto (Jean Bonnet)
Francine Racette (Madame Quentin)
Stanislas Carré De Malberg (François Quentin)
Peter Fitz (Muller)
Pascal Rivet (Boulanger)
Benoît Henriet (Ciron)
Richard Lebouef (Sagard)
Xavier Legrand (Babinot)
Irène Jacob (Davenne)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Cópia fiel de Abbas Kiarostami dia dia 9, 20h, segunda na Estação Férrea



Se a qualidade de uma obra de arte depende do contexto e está nos olhos de quem a vê, argumenta o escritor inglês James Miller (William Shimell) no começo de Cópia Fiel (Copie Conforme, 2010), então uma falsificação pode ter a mesma validade do original. É como a imagem da Coca-Cola reinventada pela pop art, diz ele, que está na Toscana para divulgar o seu livro, intitulado justamente Cópia Fiel.
Em seu primeiro filme rodado fora do Irã, o mais importante cineasta do país, Abbas Kiarostami, parte desse princípio de Miller para legitimar a sua homenagem a Viagem à Itália. Como no clássico de 1954 de Roberto Rosselini, temos o que normalmente seria uma pequena questão burguesa - os problemas de relacionamento de um casal - amplificada pela concha acústica que é a história da arte europeia. Uma obra depende de seu contexto: entre os muros da Itália, as pequenezas da vida a dois se tornam material de um drama maior.
James Miller precisa voltar para a Inglaterra, mas antes aceita de Elle (Juliette Binoche), uma francesa dona de galeria que há anos vive na Itália com seu filho, um convite para passear pelas ruazinhas da comuna de Lucignano. Passando por um café, os dois são confundidos como marido e mulher, e por brincadeira passam a encenar esses papéis. O momento dessa virada é essencial: James e Elle por uma viela antes deserta, mas que de repente se enche de varais e mulheres e barulhos de bebês. É como se atravessassem um portal para o neorrealismo.
Kiarostami diz que cada um deve interpretar a obra como quiser, mas é inegável que duas obsessões de sua cinematografia iraniana seguem preservadas aqui: as mulheres e o tempo. Em filmes como Gosto de Cereja (1997), a obra que transformou Kiarostami em grife e o cinema iraniano em moda, percebe-se mesmo no mais seco monte de terra o acúmulo do tempo. O tempo, inscrito na paisagem, é que molda os homens. Mas com as mulheres é diferente. Elas vivem no Irã em uma espécie de estado de suspensão, numa semiclandestinidade, e sobre elas o tempo não parece agir. É uma condição trágica, no fundo, e Kiarostami tem passado anos fazendo filmes com close-ups de mulheres para tentar socorrê-las.
Na Europa de Viagem à Itália e de Cópia Fiel, o secularismo permite um acúmulo do tempo distinto do iraniano. É o tempo, por exemplo, que cerca James à esquerda e à direita na cena da foto com a noiva. Lucignano surge constantemente em espelhos, janelas, romanceada por velas, por não dá pra negar a História. Mas enquanto James Miller filosofa contra o "eterno" da arte, contra a mistificação, porque afinal logo retornará para a Inglaterra, a francesa Elle está sofrendo no rosto o peso dos anos mal vividos. Fora do Irã, é sobre as mulheres que age o tempo de Kiarostami.
E se o diretor apega-se ao close-up de Juliette Binoche, que nunca esteve tão bonita e tão vulnerável, é para entender por que tanto sorri essa sua Mona Lisa.

Fonte: http://omelete.uol.com.br/cinema/critica-copia-fiel/





domingo, 1 de abril de 2012

BIUTIFUL SERÁ EXIBIDO DIA 02/04 20HS NO CENTRO DE CULTURA


SINOPSE
Javier Bardem é Uxbal, um herói trágico, pai de dois filhos, e à beira da morte. Ele luta contra uma realidade distorcida e um destino que trabalha contra ele, o impedindo de perdoar e amar. Está frente a frente com um mundo desestruturado e numa espiral decadente de degradação, mas tenta a todo custo manter a dignidade. Paralelamente, a história mostra a complexa situação dos imigrantes na Espanha.
FICHA TÉCNICA
Diretor: Alejandro González Iñárritu
Elenco: Javier Bardem, Blanca Portillo, Maricel Álvarez, Rubén Ochandiano
Produção: Fernando Bovaira, Alejandro González Iñarritu, Jon Kilik
Roteiro: Alejandro González Iñárritu, Armando Bo, Nicolás Giacobone
Fotografia: Rodrigo Prieto
Trilha Sonora: Gustavo Santaolalla
Duração: 147 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: Focus Features / Mod Producciones / Focus Features / Televisión Española (TVE) / Televisió de Catalunya (TV3) / Ikiru Films / Menageatroz
Classificação: 16 anos

CRÍTICA (Heitor Augusto, cineclick)

Alejandro González Iñárritu abandonou as múltiplas histórias entrecortadas e montagem frenética de Babel e Amores Brutos para se dedicar a apenas um personagem. O resultado é Biutiful, no qual o cineasta mexicano mergulha na dor de um pai quase como um processo terapêutico. Um filme propositalmente nauseante e desconfortável.
Se não é superinventivo, Biutiful não deixa de ser sincero. Como realizador, Iñárritu se expõe imensamente e chama um grande ator a fazer o mesmo: Javier Bardem, cujos grandes papéis são os quais ele se apropria da vida de seu personagem e embarca em sua essência, transcendendo a impressão de ser um ator vivendo outra vida para materializar uma pessoa na tela. Bardem incorpora a destruição de Uxbal, quarentão que vive de agenciar imigrantes chineses, além de ser pai de dois filhos pequenos e precisar prepará-los para a morte que se aproxima.
É muito curioso ver como a mesma história, dependendo do cineasta, pode ser contada de três maneiras diferentes. Biutiful concilia o drama de um pai perto da morte com a situação dos imigrantes na Espanha. Já vimos um ótimo filme sobre uma pessoa que prepara os familiares para sua morte, O Grão, cujo ritmo cinematográfico é dilatado; em relação ao tema da imigração, temos um suspense catártico, Olhos Azuis, com ótima atuação de Irandhir Santos.
Mas o que Iñárritu propõe ao embaralhar as duas narrativas é registrar um homem oprimido ou pela força da natureza (morte, se preferirem) ou pelo caldo social. Uxbal não tem escapatória, um herói retirado de uma tragédia. Assim, é mais que bem-vinda a narrativa circular de Biutiful. 
Uxbal está frente a frente com um mundo desestruturado, coisa que a câmera de Iñárritu não deixa de notar e ressaltar. Tanto o cineasta quanto o fotógrafo Rodrigo Prieto privilegiam o arco de degradação pela qual passa o protagonista. Uxbal está em queda livre e, mesmo tentando manter a dignidade, Biutiful sabe qual será seu destino e não sonega isso do espectador.
Do lado de fora da casa de Uxbal, está o mundo. Lá a situação é pior ainda, especialmente se você é imigrante em um subemprego qualquer na Europa. Aí, Iñárritu volta a trazer a política para seus filmes, assim como fizera em Babel, a partir de dramas familiares. Mas, sejamos sinceros, nesse novo filme, o que importa mesmo é Uxbal.

Biutiful
 atinge a intensidade pretendida ao sufocar seu personagem. Mesmo sem um roteiro poderoso, Iñárritu tenta consertar quase tudo na câmera. Na maioria das vezes consegue e apresenta um filme deliberadamente desconfortável. Assim como a vida de Uxbal, que de biutiful, como escreve sua filha, não tem nada.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

TV estatal da Argentina lança canal para exibir cinema nacional

Foi lançado na Argentina o primeiro canal de televisão digital com dedicação exclusiva a produções cinematográficas, o IncaaTV. O canal difunde filmes as 24 horas do dia, dos quais 70% são de produção argentina, 20% ibero-americana e o restante 10% está dedicado a obras realizadas em outras línguas. “É aposta em marcha de um projeto longamente sonhado, como é o de agrupar em um canal de difusão pública a arte cinematográfica argentina, seus atores, produtores e diretores de todas as épocas”, assinalou a presidente argentina, Cristina Kirchner.
Ressaltou a importância que tem a difusão da sétima arte para o enriquecimento pessoal e educativo; e elogiou o amplo crescimento das produções argentinas, ao lembrar que, no ano passado, o filme “O segredo de seus olhos”, do diretor Juan José Campanella, foi ganhador do Oscar como melhor filme estrangeiro.
“Necessitamos continuar pondo o acento no trabalho dos atores, na produção nacional (…) este setor reúne duas coisas fundamentais: ser uma poderosa indústria e ser arte, uma combinação fantástica que gera trabalho e gera identidade e expressão de uma sociedade”, asseverou Cristina.
O funcionamento da TV digital começou em janeiro passado com a distribuição gratuita de 3 milhões de decodificadores às classes menos favorecidas, que também receberam financiamento para comprar ou atualizar seus televisores.
O sistema digital, liderado pela TV Pública, o Canal 7 (canal7.com.ar) inclui outros 40 canais, incluindo um todo de notícias, outro de esportes, educação, cinema, infantil, novelas etc, com os sinais sendo emitidos pela empresa estatal de satélite ArSat, chegando a 17 cidades do país. O objetivo é atingir com os sinais todo o território nacional.
A ampla programação pode ser conferida no site www.incaatv.gov.ar

Vejam que beleza, 24 horas de filmes e é TYV estatal. Cristina está de parabéns.
Célia Zingler