quarta-feira, 18 de julho de 2012

GERMINAL DIA 23/07/12 20HS CENTRO DE CULTURA


 
SINOPSE O filme retrata o processo de gestação e maturação de movimentos grevistas e de uma atitude mais ofensiva por parte dos trabalhadores das minas de carvão do século 19 na França em relação à exploração de seus patrões.
FICHA TÉCNICA
Direção:Claude Berri
Ano:1993
País: Bélgica, Itália, França
Gênero:Drama
Duração:170 min. / cor
Título Original:Germinal
Elenco: Gérard Depardieu, Renauld, Miou-Miou, Jean Carmet, Jean-Roger Milo, Judith Henr, Laurent Terzieff, Jean-Pierre Bisson, Bernard Fresson, Jacques Dacqmine, Anny Duperey

CRÍTICA João Luís de Almeida Machado (planetaescola.com)
Germinal
Trabalhadores despertos
O título do livro e do filme nos confunde um pouco e, se não estivermos a par da temática da obra de Émile Zola, que deu origem ao filme de Claude Berri, podemos passar por esse filme na locadora sem percebê-lo e sem dar a ele o devido valor. Não nos enganemos, essa produção do cinema francês merece ser vista e apreciada tanto pelos amantes da sétima arte quanto pelos estudiosos da literatura, da história, das relações humanas e dos movimentos de trabalhadores.
"Germinal" refere-se ao processo de gestação e maturação de movimentos grevistas e de uma atitude mais ofensiva por parte dos trabalhadores das minas de carvão do século XIX na França em relação à exploração de seus patrões; nesse período alguns países passavam a integrar o seleto conjunto de nações industrializadas ao lado da pioneira Inglaterra, entre os quais a França, palco das ações descritas no romance e representadas no filme.
A forma contundente como as ações ocorrem no filme tornam a crueza dos acontecimentos extremamente chocante para os espectadores, no entanto, esse discurso um tanto quanto agressivo por parte do diretor Berri tem o firme propósito de conclamar os espíritos da audiência e chamar a atenção para as dificuldades e a rudeza do mundo operário do século XIX.
Vilipendiado, roubado, esgotado, trabalhando em condições totalmente impróprias, inseguro, sujeito a acidentes que podem ceifar-lhe a vida ou decepar-lhe um braço ou uma perna, assim nos é mostrado o proletariado francês nas telas. Inserido na escuridão das minas de carvão, sujo, cumprindo jornadas de 14, 15 ou 16 horas, recebendo salários baixíssimos e tendo que ver sua família toda se encaminhar para o mesmo tipo de trabalho e péssimas condições, pouco resta aos trabalhadores senão a luta contra aqueles que os oprimem.
A obra literária é do período que marca o surgimento da Internacional Comunista, por isso há menções a Marx e Engels e também ao anarquismo (um dos personagens centrais da trama assume o discurso dos pensadores que propuseram o anarquismo até as últimas conseqüências, mesmo tendo em vista as desgraças que isso poderia causar naquele contexto específico).

A história do filme gira em torno de uma família, que se encontra nas mencionadas condições de miséria e penúria listadas nos parágrafos anteriores, o chefe dessa família, vivido pelo grandalhão Gerárd Depárdieu (considerado um dos melhores atores franceses de todos os tempos, que também trabalhou em outros importantes filmes com temática histórica como "Danton - o processo da revolução" e "1492 - A Conquista do Paraíso") se vê então obrigado a tomar providências e para isso é estimulado pela chegada de um novo operário, que já possui vivência em termos de criação e fomentação de movimentos reivindicatórios. O primeiro passo dessa dupla passa a ser, então, criar condições de sobrevivência para os trabalhadores tendo-se em vista que uma greve poderia se prolongar por um longo período de tempo, por isso, criam uma caixa de resistência, com a qual todos os operários deveriam contribuir. A diminuição dos salários e o pouco caso dos patrões em relação à segurança e a saúde dos trabalhadores aumenta ainda mais as tensões.
Paralelamente a história dos trabalhadores podemos acompanhar a burguesia e seu cotidiano de brioches, grandes refeições, luxuosas residências e total descaso em relação ao mundo que existe além dos seus portões.
O contraste também é proposital, tem por objetivo acirrar os ânimos de quem assiste e fazer com que as pessoas tomem partido (obviamente dos trabalhadores), por isso, deve-se destacar quando se trabalhar esse filme, a questão ideológica. Como obra que procurou ser fiel aos acontecimentos do período em que foi escrita, a perspectiva para os operários não é das melhores.

Uma boa reprodução de época, acompanhada por atuações convincentes, a escolha acertada das locações onde o filme foi produzido e a excelente trama que se desenvolve paralelamente as disputas entre burgueses e trabalhadores tornam o filme uma ótima pedida para facilitar o estudo dessa difícil e complicada questão. Assistam!


sexta-feira, 6 de julho de 2012

Documentário "Tradução da Miséria", na sessão do dia 09/07, 20hs no Centro de Cultura.


traducao DVD.jpgA Associação dos Amigos do Cinema de Santa Cruz do Sul convida para a estréia do documentário

"Tradução da Miséria",

 que ocorrerá em nossa sessão do dia 09/07, 20hs no Centro de Cultura.




Tradução da Miséria, documentário em longa metragem criado por Joe Nunes, dirigido e filmado por Christofer Dalla Lana e Diego Dornelles (da Nawall Filmes) e com produção executiva de Vanessa Schuh (da a.g.a. Produções).

O Documentário foi produzido em 2011 e 2012 através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, do MinC (Lei Rouanet) e tem o patrocínio da Proamb Soluções Ambientais, Fiema Brasil, Unicasa, Construtora Dalmas e Bertolini conta o processo de produção da exposição  homônima que o artista plástico Joe Nunes produziu ao entrevistar doze catadores de materiais recicláveis nas cidades de Santa Cruz do Sul, Rio Pardo, Cachoeira do Sul, Lajeado, Encruzilhada do Sul, Cachoeirinha, Gravataí, Porto Alegre, Farroupilha, Caxias do Sul e Uruguaiana.

Por ter um cunho artístico a sua estética diferencia-se dos documentários convencionais, mas nem por isso deixa de retratar uma realidade social. Veremos pela primeira vez catadores falando da sociedade, como sujeitos dela que são, e não a sociedade falando dos catadores com visões distorcidas e preconceituosos.


Após o filme haverá um debate com toda a equipe de produção. 

Atenciosamente,

domingo, 1 de julho de 2012

“ OS DEUSES MALDITOS” DIA 02/07/12 20HS CENTRO DE CULTURA


SINOPSE
Um dos grandes filmes de Luchino Visconti, Os Deuses Malditos (Götterdämmerung, 1969) finalmente é lançado em DVD. Aborda a decadência dos Von Essenbeck, uma família poderosa do ramo siderúrgico, no momento em que Adolf Hitler assume o poder. A partir do assassinato do patriarca da família, o barão Joachim von Essenbeck, Visconti esculpe uma narrativa densa, marcada pelo rigor classico que lhe é peculiar, e investiga a origem do mal na Alemanha do período imediatamente anterior à Segunda Guerra Mundial. Com sequências antológicas, como a de Helmut Berger imitando Marlene Dietrich, em O Anjo Azul, ou a reconstituição do incêndio do Reichstag, em Berlim, em 1933, e da Noite dos Longos Punhais, em 1934, momentos graves, importantes para a consolidação do nazismo, o filme integra a trilogia alemã de Visconti, ao lado de Morte em Veneza (1971) e Ludwig (1972).
FICHA TÉCNICA Ficha Técnica
Título original: (Götterdämmerung, 1969)
Direção: Luchino Visconti
Roteiro: Nicola Badalucco, Enrico Medioli e Luchino Visconti
Fotografia: Pasqualino Di Santis e Armando Nanuzzi
Música: Maurice Jarre
Edição: Ruggero Mastroianni
Elenco: Dirk Bogarde, Ingrid Thulin, Helmut Berger, Helmut Griem,Umberto Orsini, Florinda Bolkan
Duração: 157 min
Classificação: 14 anos
Onde encontrar:
 Vintage Videos
 
CRÍTICA (Luiz Carlos Merten, O Estado de São Paulo)


Luchino Visconti havia iniciado a década de 1960 com uma obra-prima, Rocco e Seus Irmãos, à qual se seguiram O Trabalho, episódio de Boccaccio 70, O Leopardo eVagas Estrelas da Ursa. Mas em 1967/68, ele estava amargurado. Toda a vida Visconti quis adaptar O Estrangeiro, de Albert Camus, mas a viúva do escritor não lhe permitiu atualizar o livro, como queria, e a obra acabada ficou aquém de sua expectativa. Foi nesse quadro que, atento aos movimentos sociais da época - a reação ao Maio de 68, o ressurgimento do (neo)fascismo como força eleitoral na Itália -, ele começou a gestar sua trilogia alemã.

Ela começou com
 Os Deuses Malditos, que agora sai em DVD, prosseguiu com Morte em Veneza e concluiu-se com Ludwig, a Paixão de Um Rei. Os filmes foram surgindo um a cada dois anos - 1969, 1971, 1973. Durante a realização do terceiro, o cineasta sofreu a trombose que o deixou parcialmente paralisado e foi assim, em condições físicas precárias, que prosseguiu sua obra até o fim. Aos que o cobravam o por quê da trilogia alemã, Visconti dizia que o romantismo tedesco havia sido decisivo na sua formação intelectual. E mais - ele estava na Alemanha justamente no começo dos anos 1930, quando os nazistas consolidaram seu poder.

Testemunhara a forma como Adolf Hitler se cercara dos integrantes do que virou umas tropa de choque, os SA, cujo comandante supremo era um homossexual violento (e totalmente devotado ao führer). Já encastelado no poder, Hitler quis se dissociar dos SA e ordenou seu massacre pelo que viria a ser a elite do Reich, os SS. A cena é reconstituída em
 Os Deuses Malditos. Rende um dos momentos mais fortes do filme.
Os Deuses Malditos, The Damned, na versão que a Warner distribuiu internacionalmente.Gotterdamerung, La Caduta degli Dei, O Crepúsculo dos Deuses, na versão europeia. O filme nasceu do encontro de lembranças pessoais e políticas com a apreensão de Visconti pelo que antecipava como futuro da Itália. Pier Paolo Pasolini também advertia em seus escritos - e nos filmes - para a rescalada do fascismo na vida italiana. Tudo isso é verdade, mas o verdadeiro motor para Os Deuses Malditos foi uma reflexão que Visconti já vinha fazendo há algum tempo. 

Depois das sagas familiares de Rocco,
 O Leopardo e Vagas Estrelas, em conversas com sua roteirista Suso Cecchi D’Amico, ele manifestou o desejo de radicalizar a ideia da família como célula social. Surgiram assim os Essenbecks, tão poderosos que a própria condição social lhes permite matar e cometer incesto impunemente. Suso deu o start, mas Visconti precisou de outro roteirista, Enrico Medioli, para dar plena vazão às monstruosidades que perseguem/acometem os personagens de Os Deuses Malditos.

Impunes - era a palavra chave para os homens e mulheres que queria criar. O filme começa com um suntuoso jantar na casa da família protagonista. São industriais do aço e Visconti vai usar o fogo da usina, na abertura e no encerramento, para tecer um cerimonial ajustado às encenações do nazismo, que privilegiavam o fogo. O tom é operístico, wagneriano - uma ópera antinazista. O patriarca da família será morto nessa longa noite de loucuras e o poder será enfeixado por Martin, que vai explorar as divisões internas e lançar Essenbeck contra Essenbeck para reinar no clã.

Martin é interpretado por Helmut Berger, que Visconti havia descoberto - e que também seria o seu Ludwig. Martin é perverso - e bissexual. O grande escândalo na cena desse jantar é quando ele faz seu número de Anjo Azul e aparece travestido como Marlene Dietrich. Homossexualismo, bissexualismo, travestismo, incesto, drogas. Não há limites na escalada de
 Os Deuses Malditos. O clima é de decadência. Visconti, que havia integrado a lente zoom à sua estética - especialmente em Vagas Estrelas -, faz aqui seu filme mais duro. Outra obra-prima. O DVD tem como extras trailers e informações sobre vida e obra do diretor.



quinta-feira, 7 de junho de 2012

FILME POESIA NO DIA 11/06 20HS CENTRO DE CULTURA



SINOPSE
Mija (Jeong-hee Yoon) vive com seu neto nas encostas do rio Han. É uma senhora excêntrica com uma mente inquieta e questionadora. Um dia, ela entra por acaso em uma aula de poesia em um centro cultural na vizinhança e é desafiada pela primeira vez a escrever um poema. Sua busca pela inspiração começa ao observar a beleza do cotidiano, as coisas ao seu redor que ela nunca havia reparado. Mas, quando a realidade se torna cruel, ela é obrigada a ver que o mundo não é tão bonito quanto ela imaginava.
FICHA TÉCNICA
Diretor: Chang-dong Lee
Elenco: Jung-hee Yoon, Hira Kim, Da-wit Lee
Produção: Lee Chang-dong
Roteiro: Lee Chang-dong
Fotografia: Hyun Seok Kim
Duração: 139 min.
Ano: 2010
País: Coréia do Sul
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Imovisio


CRÍTICA (Celso Sabadin, cineclick)

Mija (Jeong-hee Yoon, excelente) é uma simpática sexagenária que vive com seu neto adolescente num pequeno apartamento no interior da Coreia do Sul. Como sua aposentadoria não é suficiente, ela complementa a renda mensal como empregada doméstica de um senhor com dificuldades de locomoção. E ainda assim encontra tempo e energia para fazer um curso de Poesia. Elegante, Mija sempre ostenta um invejável sorriso, até o dia em que o suicídio de uma colega de seu neto vai desencadear uma série de acontecimentos que abalarão o até então sossegado cotidiano de Mija. 

Premiado como melhor roteiro no Festival de Cannes,
 Poesia é um filme que discute valores. Ou a falta deles. A protagonista é uma mulher envolta pela sua época, supostamente mais simples e mais ética que os tempos atuais. Sua vida espartana não lhe tira a elegância de suas roupas, seu sorriso, muito menos sua dignidade. Mas com a força e a inexorabilidade de um rio (metáfora presente da primeira à última cena do filme), a falta de ética e de caráter, em que tudo pode ser comprado, invade sua vida de forma devastadora. De maneira dolorida, ela percebe que existe um preço para tudo. 

O roteirista e diretor Lee Chang-Dong conduz o drama com a leveza que o própro título
 Poesiasugere. A mesma poesia que Mija tentará descobrir no transcorrer de toda a trama e que, num final belissimo (não, não vamos contar), projeta sua própria dor na dor de uma pessoa que jamais conheceu. 

Repare no belíssimo trabalho de Jeong-hee Yoon, veterana atriz coreana que já atuou em quase 200 trabalhos, e que estava afastada das telas desde 1994.