quarta-feira, 29 de julho de 2009

O Homem que Virou Suco. Nesta segunda (03/08) às 20h na Estação

Caros amigos, nesta segunda teremos um programa duplo, com um curta e um longa.
Histórias populares do Nordeste estão neste programa composto de dois filmes realizados na mesma época. São as histórias transmitidas oralmente que eventualmente se transformam em literatura de cordel e em canções. A animação pernambucana A saga da Asa Branca ilustra, em estilo de cordel, a célebre toada Asa Branca, de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga, gravada pelo rei do baião pela primeira vez em 1947. Também em estilo de cordel, O homem que virou suco é um dos filmes mais contundentes e fascinantes sobre o tema da migração nordestina para São Paulo. Nele, o ator José Dumont desempenha duplo papel, de dois migrantes em que um assassino e um cantador são confundidos. Diversão e reflexão.



* A Saga da Asa Branca
Lula Gonzaga , RJ, 1979
* O Homem que Virou suco
João Batista de Andrade , SP, 1979


Seguem abaixo as sinopses, fichas técnicas e crítica dos filmes.

O Homem que Virou Suco
Sinopse
A história segue Deraldo, um poeta popular nordestino recém chegado a São Paulo, onde tenta sobreviver de sua poesia e folhetos. Confundido com o operário de uma multinacional que mata o patrão, é perseguido pela polícia e perde sua identidade e condição de cidadão. Através de Deraldo, o filme acompanha o caminho do trabalhador migrante numa cidade grande: a construção civil, os serviços domésticos e subempregos sujeitos à violência e à humilhação. E segue a luta de Deraldo para reconquistar sua liberdade e preservar sua identidade.

Ficha de Informações do Filme
Título: O Homem que Virou suco
Duração: 97 min e 0 seg.
Ano: 1979
País: Brasil
Gênero: Ficção
Subgênero: Suspense
Cor: Colorido

Direção: João Batista de Andrade
Roteiro: João Batista de Andrade
Elenco: José Dumont, Célia Maracajá, Ruth Escobar, Denoy de Oliveira, Renato Máster, Ruthnéia de Moraes, Barros Freire, Rafael de Carvalho.
Empresa Co-produtora: RAIZ PRODUÇÕES CINEMATOGRÁFICAS
Produção Executiva: Assunção Hernandes
Direção de Produção: Wagner Carvalho
Direção Fotografia: Aloysio Raulino
Montagem/Edição: Alain Fresnot
Cenografia: Marisa Rebolo
Figurino: Marisa Rebolo
Técnico de Som Direto: Romeu Quinto
Mixagem: Walter Rogério
Trilha Musical: Vital Farias
Suporte de Captação: 35mm
Som: Sonoro Mono

Classificação Indicativa: 16 anos

Currículo do filme
Prêmios: Medalha de Ouro (Melhor Filme) no Festival Internacional de Moscou (1981); Prêmio Mérito Humanitário da Juventude Soviética de Moscou (1981); Prêmio Especial da Crítica no Festival de Memórias Operárias de Névers, França (1983); Melhor ator no Festival de Brasília para José Dumont (1980) Melhor roteiro, ator principal e ator coadjuvante no IX Festival de Cinema Brasileiro de Gramado (1981); Melhor Ator Festival de Huelva (1983), Prêmio Air France de Cinema (1980); Prêmio Qualidade Brasil Concine (1983); Prêmio São Saruê, concedido pela Federação dos Cineclubes do Rio de Janeiro (1983).

A Saga da Asa Branca
Sinopse
Asa Branca é um pássaro de arribação que voa do sertão quando percebe que a seca vai chegar. O filme é um "semidocumentário" em desenho animado, que retrata o pássaro e o sertanejo com sua mulher (Bernardino e Rosinha), partindo da sua terra com a chegada da estiagem. Com texto e narração de Humberto Teixeira, compositor da música Asa Branca, foi este o único trabalho de Humberto no cinema e também seu último trabalho. Na trilha sonora, o arranjo sinfônico do maestro Guerra Peixe.

Ficha de Informações do Filme
Título: A Saga da Asa Branca
Duração: 7 min
Ano: 1979
País: Brasil
Gênero: Animação
Subgênero: Suspense
Cor: Colorido

Direção: Lula Gonzaga
Roteiro: Silvana Delácio
Elenco: Vozes: Humberto Teixeira
Empresa Co-produtora: A SAGA AUDIOVISUAL
Produção Executiva: Lula Gonzaga
Direção de Produção: Lula Gonzaga
Direção Fotografia: Ronaldo Cânfora - Pan Studio
Direção de Arte: Lula Gonzaga
Trilhas musical: Asa Branca de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga, com arranjo sinfônico de Guerra Peixe
Som: Sonoro Mono

Classificação Indicativa: Livre


Crítica
CLÁSSICO E POPULAR
Carlos Alberto Mattos

O Homem que virou suco é exemplo típico - e um dos melhores - de um conjunto de operações que o cinema brasileiro fazia na segunda metade da década de 1970 para estabelecer um diálogo melhor com o público, sem trair as conquistas estéticas do Cinema Novo e do Cinema Marginal.

Para começar, o filme reelabora padrões da narrativa clássica com ingredientes de um cinema popular. Basicamente, é a história do duplo (expressionismo alemão) e do homem errado (policial estadunidense) que se desenrola entre Severino e Deraldo, os dois sósias nordestinos envolvidos num equívoco criminal. O tema igualmente clássico do imigrante é tratado desde o título, e em toda sua extensão, como material de literatura de cordel. Assim o diretor procura fundir seu filme com formas de representação características do povo nordestino.
Naquele período, o cinema brasileiro também experimentava uma crescente simbiose entre práticas do documentário e da ficção, num movimento iniciado por Iracema - Uma transa amazônica, em 1974, de Jorge Bodanzky e Orlando Senna. Daí a importância da improvisação nos diálogos, de uma relação especialmente livre entre câmera e atores e até de uma certa submissão da técnica às condições do local de filmagem.
Por fim, vemos um diretor que não abre mão de seu passado. É nas seqüências de rua que João Batista de Andrade semeia os ecos de sua militância no cinema marginal paulista anos antes, quando era comum promover-se performances em praça pública para que o filme absorvesse o inesperado da participação popular.
Esta denúncia do esmagamento dos deraldos e severinos, seja pela marginalização, seja pela inserção aviltante, conta com a sensibilidade do diretor para criar uma poética em meio ao drama e à comédia. As cenas da batida policial noturna e da leitura da carta no alojamento dos operários são reveladoras de um olhar humanista que transcende toda urgência e objetividade.
A presença de José Dumont, no filme que o revelou plenamente, extrapola a mera questão cênica. No fundo, é o próprio ator que está na pele de Deraldo, ele que também chegou da Paraíba sem documentos e soube se impor pelas artes do talento. Coisa semelhante se passou com o próprio filme, lançado em 1980 sem maior repercussão e "redescoberto" pelos brasileiros depois de vencer o Festival de Moscou. O suco, portanto, só veio depois da vodka.
O curta que complementa este programa reverbera o tema da imigração a partir de outro ícone da cultura nordestina: a canção Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Uma animação naïf, mas expressiva, reitera o drama da fuga para um sonho impossível.

* Crítico e pesquisador de cinema, autor de livros sobre Walter Lima Jr., Eduardo Coutinho, Carla Camurati, Jorge Bodanzky e Maurice Capovilla. Crítico de O Globo, do site criticos.com.br e autor do DocBlog / Globo Online.

sábado, 25 de julho de 2009

Deus e o diabo na terra do sol. Nesta segunda, às 20h, na Estação

Prezados Amigos do Cinema, nesta segunda, na nossa sessão das 20 horas na Estação Férrea, teremos um clássico do cinema brasileiro e mundial, Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha.

Sinopse
Revoltado contra a exploração de que é vítima por parte do coronel Morais, o vaqueiro Manuel mata-o durante uma briga. Começa então a fuga de Manuel e de sua esposa Rosa, que são perseguidos por jagunços até se integrarem aos seguidores do beato Sebastião, no lugar sagrado de Monte Santo. Ao mesmo tempo, o matador de aluguel Antônio das Mortes, a serviço dos latifundiários e da Igreja Católica, extermina os seguidores do beato, o que faz com que o casal tenha de continuar fugindo e se encontre com Corisco, cangaceiro remanescente do bando de Lampião.

Ficha de Informações do Filme
Título: Deus e o Diabo na Terra do Sol
Duração: 110 min e 0 seg.
Ano: 1964
Cidade: UF(s): BA País: Brasil
Gênero: Ficção
Subgênero: Suspense
Cor: PB
Ficha Técnica
Direção: Glauber Rocha
Roteiro: Glauber Rocha e Walter Lima Jr.
Assistente de Direção: Paulo Gil Soares, Walter Lima Jr.
Elenco: Geraldo Del Rey, Yoná Magalhães, Maurício do Valle, Othon Bastos, Sebastião; Sônia dos Humildes - Dadá;
Empresa(s) Co-produtora(s): Copacabana Filmes
Produção Executiva: Luiz Augusto Mendes
Direção de Produção: Agnaldo Azevedo
Direção Fotografia: Waldemar Lima
Montagem/Edição: Rafael Justo Valverde e Glauber Rocha
Direção de Arte: Paulo Gil Soares
Figurino: Paulo Gil Soares
Técnico de Som Direto: Aluísio Viana, Geraldo José e Rafael Valverde
Edição Som: Rafael Valverde
Mixagem: Rafael Valverde
Trilha: Sérgio Ricardo, Glauber Rocha e Heitor Villa-Lobos.
Dados Técnicos
Som: Sonoro Mono
Classificação Indicativa: 14 anos
Currículo do filme
Prêmios: Prêmio da Crítica Mexicana (Festival Internacional de Acapulco, México, 1964), Grande Prêmio (Festival de Cinema Livre, Itália, 1964), Náiade de Ouro (Festival Internacional de Porreta Terme, Itália, 1964), Troféu Saci (Melhor Ator Coadjuvante: Maurício do Valle, 1965), Grande Prêmio Latino-Americano (Festival Internacional de Mar del Plata, Argentina, 1966).

Crítica
O SERTÃO BARROCO DE GLAUBER
João Carlos Sampaio

Mais célebre filme de Glauber Rocha e talvez o título brasileiro mais conhecido no mundo, Deus e o diabo na terra do sol é um extravagante exercício autoral, no qual se misturam influências do cinema realista, do faroeste norte-americano, da literatura de cordel e da dramaturgia do teatro simbolista.
O Sertão Nordestino no Brasil dos anos 1940 é o cenário para a saga do vaqueiro Manuel (Geraldo Del Rey) e sua esposa (Yoná Magalhães). Castigado pela seca inclemente, pela condição de pobreza e exploração da sua força de trabalho, o camponês sangra o latifundiário que o oprime e foge com a mulher.
Nas andanças o casal vai encontrar um líder messiânico (Lídio Silva), que promete prosperidade e boa vida aos que o seguirem. Eles resolvem se tornar discípulos, até que a mulher se rebela com os rituais exóticos e resolve apunhalar o religioso. Novamente, os protagonistas ficam à deriva.
É quando vão encontrar o cangaceiro Corisco (Othon Bastos), cuja vida consiste em saquear para tirar o sustento. Parece uma alternativa razoável para o casal desvalido, até que surge a figura do matador de aluguel (Maurício do Valle), justiceiro decidido a matar o cangaceiro.
Deus e o diabo na terra do sol é um filme repleto de simbologia, que usa os personagens para recriar as forças conflitantes no Nordeste empobrecido. O líder messiânico representa Deus como solução para as injustiças sociais; o cangaceiro é o satanás, ou seja, a solução pela força. O matador de aluguel restitui o equilíbrio, afirmando que nem Deus, nem o seu algoz, são donos da razão.
A terra pertence ao homem é o que diz o filme de Glauber Rocha, que imprime as suas convicções marxistas e revolucionárias com um discurso de grande força visual, amparado pela trilha sonora composta por Sérgio Ricardo, a partir da influência do trovadorismo sertanejo e da poesia popular do cordel.
A virulência que o cineasta usava para defender suas idéias está presente neste filme, que é uma das obras-primas do Cinema Novo e traz todo o vigor do escola político-poética, que mobilizou corações e mentes nos anos 1960.
Barroca desde a sua espinha dorsal, a obra passeia de um extremo a outro, com ousadia e despojamento narrativo. Propõe uma construção que é, ao mesmo tempo, áspera na sua gênese e sofisticada nas suas pretensões discursivas.
Da fome e da miséria, Glauber supõe que virá a revolta. A ira como alimento suficiente para o homem comum, representado pelo vaqueiro Manuel, contestar a sua própria condição. Ele é quem irá se salvar em meio a essa peleja entre Deus e o diabo, metáfora simbólica à crença democrática, de que o povo é quem detém o poder e a força para persistir, superando os desmandos e adversidades.

*João Carlos Sampaio é jornalista e crítico de cinema. Escreve para veículos impressos e atua também como comentarista em programas de rádio e TV.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Próximas sessões e programação de ciclos

A partir de ontem incluímos uma nova sessão permanente no blog, a Próximas sessões, que vocês podem ler ali na coluna da direita. Nossa idéia é poder anunciar a programação do mês seguinte, para que as pessoas possam se planejar também com antecedência. Cabe registrar que no caso de alguns filmes só podemos nos assegurar de sua com poucos dias de antecedência. De qualquer maneira vamos tentar trazer mais esta informação para os associados e leitores.
Para as 2 próximas sessões teremos o encerramento do miniciclo Nordeste do Brasil, que começou na semana passada com O Homem da Mata e Baile Perfumado e continua no dia 27/07 com Deus e o Diabo na Terra do Sol e no dia 03/08 com A Saga da Asa Branca e O Homem que Virou Suco. Em todos estes filmes para além da sua diversidade estética, de linguagem e de temática - encontramos o nordeste brasileiro com sua história, sua organização social, sua geografia, sua gente, seus dramas, tragédias e belezas.

E com a novidade da programação mensal penso que poderíamos explorar ainda mais a idéia de ciclos temáticos. Neste ano, mesmo sem explicitar, sem chamar de ciclo (até porque não tínhamos certeza da disponibilidade dos filmes nas datas previstas) fizemos uma sequência de projeções sobre adolescentes em situação de risco: Os Incompreendidos, Os Esquecidos, Tartarugas Podem Voar. E agora estamos com os filmes sobre o Nordeste.
Gostaria de pedir sugestões de ciclos por temas, diretores, atrizes, atores, nacionalidade. O legal mesmo seria termos vários programadores para nossas sessões: alguém programa setembro, outra pessoa programa outubro, outras duas programam novembro em conjunto e assim vamos fazendo da Amigos do Cinema cada vez mais cineclube.

Já recebemos várias sugestões ao final das sessões e também por email. Um filme recorrente é o Cores do Paraiso. Não esqueci dele, só não consegui ainda localizá-lo. Se alguém souber onde ou com quem, seria de grande ajuda.
Abraços
Caco

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Baile Perfumado e O Homem da Mata nesta segunda na Estação

Caros amigos do cinema,
nesta segunda, dia 20 de julho, teremos dois filmes (um curta e um longa)na nossa tradicional sessão das 20 horas na Estação Férrea:

Baile Perfumado

Lírio Ferreira e Paulo Caldas , PE, 1998, 93 min.
Cinebiografia do libanês Benjamim Abrahão, o único a filmar Lampião e seu bando. O filme mostra desde a morte do Padre Cícero até a morte de Lampião e enfoca o aburguesamento do cangaço e a modernização do Sertão.

O Homem da Mata

Antonio Luiz Carrilho , PE, 2004, 18 min.
José Borba da Silva, ator, canavieiro, cantor, pai-de-santo e artista da cultura popular, interpreta Jack, o vingador justiceiro, super-herói defensor dos trabalhadores da Zona da Mata Atlântica do Nordeste do brasil.



Crítica
Os Inquietos Vão Mudar o Mundo.
Glênio Nicola Povoas.

Baile Perfumado propõe outros olhares sobre o mito de Virgulino Ferreira da Silva. Mas o personagem principal não é o cangaceiro e sim Benjamim Abrahão, conhecido como o mascate que filmou Lampião. Baile Perfumado inicia com a morte do Padre Cícero Romão Baptista, aos 90 anos, em Juazeiro do Norte, Ceará, em 20 de julho de 1934. Na caatinga, enfrentamento entre o bando de Lampião e uma volante liberada pelo tenente Lindalvo Rosas. Em Fortaleza, Abrahão propõe a Adhemar Bezerra de Albuquerque, proprietário da ABA Film (iniciais de seu nome), a confecção de um filme sobre Lampião. Abrahão parte m busca de apoio junto aos coronéis que possam garantir segurança. O encontro acontece num dos esconderijos do bando. O líder aceita ser filmado (em alguns dias de maio de 1936). Abrahão retorna para mais filmagens e fotografias (de outubro de 1936 a início de janeiro de 1937). Fotos de Lampião são publicadas em O Cruzeiro, revista semanal de maior circulação nacional. Os governos não gostam. Em seguida, o filme é proibido (abril de 1937) e Abrahão é assassinado (em 10 de maio de 1938). Lampião, no topo de uma rocha, olha a caatinga.

O libanês Benjamim Abrahão conviveu com os dois maiores mitos do sertão nordestino. Foi secretário particular de Padre Cícero nos seus últimos dez anos de vida. Conheceu Virgulino acompanhado de seu bando, em março de 1926, quando vão a Juazeiro, solicitados pelo governo federal para lutar contra a Coluna Prestes. Na Feliz análise dos próprios realizadores a figura de Abrahão é a metáfora da “modernidade entrando no sertão”.

Houve muita pesquisa e descobertas e nem tudo está no filme. Encontros com o especialista Frederico Pernambucano de Mello, que entre outras preciosidades havia adquirido alguns pertences de Abrahão, como duas cadernetas com anotações em árabe e a câmera usada para as históricas filmagens. As informações sobre o filme de depois de exibição em Fortaleza, por decisão federal, de Lourival Fontes, diretor do Departamento de Imprensa e Propaganda, negativos e cópias de Lampião, o Rei do Cangaço são apreendidos (abril de 1937) e depositados num porão. O material é descoberto em 1957 por Alexandre Wulfes e Alcebíades Ghiu que recuperam os 15 minutos conhecidos desde então. Essas imagens vem aparecendo ressignificadas em Memória do Cangaço (1965, Paulo Gil Soares) ou A Musa do Cangaço (1982, José Umberto Dias). Dias é responsável por um texto que é básico para Baile Perfumado, “Benjamim Abrahão, o mascote que filmou Lampião” incluindo no livro “Cangaço – O Nordeste no cinema brasileiro”, organizado por Maria do Rosário Caetano (Brasília, Avathar, 2005).

Acompanha esta edição o curta O Homem da Mata. Na fronteira entre o documentário e a ficção, o filme faz um resgate de José Borba, ator, canavieiro, cantor, compositor, pai-de-santo, artista da cultura popular, que interprete Jack, o vingador justiceiro, protetor dos canavieiros. Filmado nas cidades de Aliança e Condado, na Zona da Mata pernambucana. É a segunda direção em cinema de Antônio Luís Carrilho; realizou antes o curta Sociobiologia (2000).



Baile Perfumado
Ficha de Informações do Filme
Título: Baile Perfumado
Duração: 93 min.
Ano: 1998
Cidade: UF(s): PE País: Brasil
Gênero: Ficção
Subgênero: Suspense
Cor: Colorido/PB

Ficha Técnica
Direção: Lírio Ferreira e Paulo Caldas
Roteiro: Paulo Caldas, Lírio Ferreira e Hilton Laverda
Elenco: Duda Mamberti, Luís Carlos Vasconcelos, Aramis Trindade, Chico Diaz, Jofre Soares, Cláudio Mamberti
Empresa(s) Co-produtora(s): Raccord Produções Artísticas
Produção Executiva: Paulo Caldas, Germano Coelho Filho, Lírio Ferreira, Marcelo Pinheiro e Aramis Trindade
Direção Fotografia: Paulo Jacinto dos Reis
Montagem/Edição: Vânia Debs
Direção de Arte: Adão Pinheiro
Técnico de Som Direto: Vírgina Flores, Cesar Migliorin e Fernando Ariani
Descrições das Trilhas: Direção Musical: Chico Science e Fred Zero Quatro, Sergio Siba Veloso, Lucio Maia e Paulo Rafael.

Dados Técnicos
Suporte de Captação: 35mm
Janela de projeção de película: 1:1.33
Disponível nos Suportes: Vídeo (DVD)
Som: Sonoro - Dolby SR
Classificação Indicativa: 14 anos



O Homem da Mata
Ficha de Informações do Filme
Título: O Homem da Mata
Duração: 18 min.
Ano: 2004
Cidade: UF(s): PE País: Brasil
Gênero: Ficção
Subgênero: Suspense
Cor: PB

Ficha Técnica
Direção: Antonio Luiz Carrilho
Roteiro: José Borba da Silva, Antônio Luiz Carrilho de Souza Leão e Guilherme Sarmiento.
Direção de Atores: Manoel Carlos
Elenco: Hermila Guedes, Lourival Batista, Nerisvaldo Alves, Simião Martiniano, Soraia Silva, Jones Melo, Jonathans Ferreira Lucena, José Borba da Silva
Empresa(s) Co-produtora(s): Canoa Filmes
Produção Executiva: Rosa Melo.
Direção de Produção: Renato Pimentel
Direção Fotografia: Mariano Pikman
Operador de Câmera: Mariano Pikman
Montagem/Edição: Karen Barros, Rodrigo Savastano
Direção de Arte: Antônio de Olinda, Cristiano Sidoti, Daniela Brilhante e Lourival Batista.
Técnico de Som Direto: Osman Assis, Bárbara de Lito
Sound Designer: Luiz Eduardo Carmo
Descrições das Trilhas: Armando Lobo

Dados Técnicos
Suporte de Captação: 16mm
Janela de projeção de película: 1:1.33
Disponível nos Suportes: Vídeo (DVD)
Som: Sonoro - Dolby SR

Classificação Indicativa: Não possui a Classificação Indicativa do Ministério da Justiça

Currículo do filme
Prêmios:
-Melhor Filme; Melhor Ator e Melhor Montagem em 16mm no Festival de Brasília, 37, 2004, Brasília - DF..
-Prêmio Especial do Júri no Curta Cinema, 2004, RJ..
-Prêmio Expressão Cultural no Festival Brasileiro do Cinema Universitário, 10, 2005, RJ.

Enquete sobre o dia da sessão

Os amigos e amigas que olharem ali na coluna da direita, um pouco abaixo, encontrarão os resultados de nossa enquete sobre o melhor dia para a sessão e poderão verificar que a terça-feira aparece com larga vantagem como o dia preferido.
Para este ano não é possível trocar, devido à escala de ocupação do Centro de Cultura da Estação Férrea. Vamos registrar a sugestão dos associados e tentar esta modificação para 2010.
Até lá continuaremos com a sessão dos Amigos do Cinema nas segundas, às 20 horas, na Estação.

Fórum da Cultura

Conforme o Antelmo nos lembrou na postagem anterior, dia 15 tivemos importante reunião do Fórum da Cultura. No dia 12 de agosto teremos a próxima, quando o fórum irá definir sua proposta de composição do Conselho Municipal de Cultura. Mais informações podem ser encontradas no blog do Fórum da Cultura http://culturascs.blogspot.com

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Caros amigos e amigas,
No dia 15 de julho, quarta-feira, teremos uma importante reunião mensal do Fórum da Cultura, das 18h às 20 horas na Estação Férrea.

Vamos retomar a discussão sobre o Conselho Municipal de Cultura com o objetivo de definir critérios ou diretrizes sobre a participação da sociedade organizada no conselho: quais as entidades, a que setores da cultura elas representam, como serão escolhidas. Além da representação das diversas manifestações culturais é estritamente necessaária a participação da sociedade representando os apreciadores de cultura da nossa cidade.

domingo, 12 de julho de 2009

Tudo Bem, nesta segunda às 20 horas na Estação Férrea

Caros amigos do cinema, nesta segunda-feira nossa sessão terá o filme Tudo Bem, de Arnaldo Jabor. É um filme de 1978 que faz um interessantísimo retrato do Brasil dos anos 70 do século passado e é um dos grandes filmes que o Jabor fez quando ainda não era comentarista da Rede Globo. O filme foi muito premiado na época: Melhor Filme no Festival de Brasília de 1978. Melhor Ator Coadjuvante para Paulo Cesar Pereio no mesmo festival. Prêmios Moliére de Cinema de 1978: melhor filme, melhor direção, melhor atriz (Fernanda Montenegro). E ainda, no Festival de Taormina, na Itália, o de melhor atriz para Fernanda Montenegro.
Além do Pereio e da Fernanda Montenegro, estão no elenco profissionais do porte de Paulo Gracindo, Stênio Garcia, José Dumont, Anselmo Vasconcellos,Regina Casé, Luiz Fernando Guimarães e Fernando Torres.
Quero destacar ainda que o autor da crítica que está logo abaixo da ficha técnica do filme, é o santacruzense Marcus Mello, crítico, editor de revistas de cinema e programador da Sala P. F. Gastal, cinema manticdo pela secretaria municipal de cultura de Porto Alegre.


Tudo Bem

Sinopse:
Uma família de classe média do Rio de Janeiro decide reformar o apartamento para o noivado da filha, que só pensa em se casar. O pai é funcionário público aposentado e perdeu o interesse pela mãe, que sofre com a rejeição. O filho é um executivo oportunista. Duas empregadas domésticas completam o quadro de moradores, que têm seu cotidiano totalmente alterado com a chegada dos trabalhadores. Em meio às obras, todos os habitantes desse microcosmo de conflitos sociais vão revelando suas particularidades.


Ficha de Informações
Título: Tudo Bem
Duração: 110 min e 0 seg.
Ano: 1978
País: Brasil
Gênero: Ficção
Subgênero: Suspense
Cor: Colorido

Ficha Técnica
Direção: Arnaldo Jabor
Roteiro: Arnaldo Jabor e Leopoldo Serran
Elenco: Fernanda Montenegro, Paulo Gracindo, Maria Silvia, Zezé Motta, Stênio Garcia, José Dumont, Anselmo Vasconcellos,Regina Casé, Luiz Fernando Guimarães,Fernando Torres, Luis Linhares, Jorge Loredo,Álvaro Freire, José Maranhão Torres, Alby Ramos, Jesus Pin
Empresa(s) Co-produtora(s): Sagitário Produções Cinematográficas Ltda.,Embrafilme - Empresa Brasileira de Filmes S.A.
Produção Executiva: Arnaldo Jabor
Direção de Produção: Carlos Alberto Diniz
Direção Fotografia: Dib Lutfi
Montagem/Edição: Gilberto Santeiro
Cenografia: Hélio Eichbauer
Figurino: Hélio Eichbauer
Técnico de Som Direto: Vitor Raposeiro
Mixagem: Aloysio Vianna

Dados Técnicos
Suporte de Captação: 35mm
Disponível nos Suportes: Vídeo (DVD)
Som: Sonoro
Mono


Classificação Indicativa: 16 anos

Currículo do filme
Prêmios: Melhor Filme e Melhor Ator Coadjuvante para Pereio, Paulo Cesar no Festival de Brasília, 11, 1978, Brasília - DF..
Prêmios Moliére de Cinema, 1978, de Melhor Filme; de Melhor Direção e de Melhor Atriz para Montenegro, Fernanda..
Melhor Atriz para Montenegro, Fernanda no Festival de Taormina - IT.

Crítica

O PAÍS NA SALA DE JANTAR
Marcus Mello

Expoente da segunda fase do Cinema Novo, Arnaldo Jabor iniciou sua carreira como documentarista com o excelente Opinião pública (1967), mas é na ficção que este diretor carioca nascido em 1940 vai encontrar sua verdadeira vocação. Entre o início dos anos 1970 e a primeira metade dos anos 1980, Jabor produziu uma série de filmes marcantes, combinando um forte traço autoral com uma ampla capacidade de comunicação com as platéias. Se o alegórico Pindorama (1973), sua estréia na ficção, desagradou tanto à crítica quanto ao público, a recuperação viria com Toda a nudez será castigada (1973) e O casamento (1978), vigorosas adaptações cinematográficas de Nelson Rodrigues, que asseguraram uma consagração imediata ao então jovem diretor (admiração compartilhada pelo próprio Nelson Rodrigues).

Tudo bem (1978) dá início a um tríptico de filmes, conhecido como a "Trilogia do apartamento", que teria continuidade com Eu te amo (1980) e Eu sei que vou te amar (1984). Trata-se de um projeto ambicioso, e muito bem-sucedido, visto por inúmeros críticos como a obra-prima de Jabor. A trama acompanha os percalços de uma família de classe média envolvida na reforma de seu apartamento em Copacabana. O pai, o funcionário público aposentado Juarez Barata (Paulo Gracindo), a esposa insatisfeita sexualmente (Fernanda Montenegro), a filha que só pensa em casar (Regina Casé), o filho meio cafajeste (Luiz Fernando Guimarães) e as duas empregadas domésticas da casa (Maria Sílvia e Zezé Motta) têm seu cotidiano alterado pela convivência com o grupo de operários contratados para a obra.

A partir dessa situação até certo ponto banal, Jabor desenha um retrato desconcertante do Brasil, desnudando nossas idiossincrasias e contradições mais profundas. O aspecto alegórico está presente o tempo inteiro, mas sem prejuízo da comunicabilidade, alcançada pela mistura de situações cômicas e absurdas apresentadas pelo roteiro, assinado por Leopoldo Serran em parceria com Jabor, que dialoga diretamente com o universo de Nelson Rodrigues.

A exemplo de alas de uma escola de samba que elegesse como tema as misérias nacionais - a alienação da classe média, o sincretismo religioso, o apartheid social, a invasão do capital estrangeiro, a ressaca do Milagre Econômico, o gosto pela corrupção -, os dramas do País vão desfilando entre as quatro paredes do apartamento da família Barata, num esforço totalizante que procura oferecer ao espectador, através do cinema, uma interpretação do Brasil.
Verborrágico e excessivo, Tudo bem pode ser visto como uma ópera barroca sobre um país de alma doente. O risco de resvalar para a teatralidade, facilitado pela situação de confinamento dos personagens, no entanto, é evitado pela encenação sofisticada de Jabor, que conta ainda a seu favor com o auxílio de um elenco notável de atores, provavelmente o melhor já reunido numa produção brasileira.

*Marcus Mello: Crítico de cinema, é editor da revista Teorema (RS) e colaborador das revistas Aplauso (RS) e Cinética (RJ). Programador da Sala P. F. Gastal, cinema mantido pela Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Sessão 06 de julho


A sessão dos Amigos do Cinema desta segunda dia 06 de julho apresentaremos o filme Tartarugas Podem Voar, uma produção iraniana/iraquiana. A sessão será às 20 horas na Estação Férrea. como sempre, a sessão é gratiuta e aberta ao público em geral.

Sinopse
Em uma vila de curdos no Iraque, na fronteira entre o Irã e a Turquia e pouco antes do ataque americano contra o país, os moradores locais buscam desesperadamente uma antena parabólica, na intenção de ter notícias via satélite.


Ficha Técnica
Título Original: Lakposhtha Hâm Parvaz Mikonand
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 95 minutos
Ano de Lançamento (Irã / Iraque): 2004
Estúdio: Mij Film Co. / Bac Films
Distribuição: Bac Films / Imovision
Direção: Bahman Ghobadi
Roteiro: Bahman Ghobadi
Produção: Babak Amini, Hamid Karim Batin Ghobadi, Hamid Ghavami e Bahman Ghobadi
Música: Hossein Alizadeh
Fotografia: Shahram Assadi
Desenho de Produção: Bahman Ghobadi
Edição: Mustafa Kherqepush e Haydeh Safi-Yari


Elenco
Soran Ebrahim (Satellite)
Avaz Latif (Agrin)
Saddam Hossein Feysal (Pashow)
Hiresh Feysal Rahman (Hengov)
Abdol Rahman Karim (Riga)
Ajil Zibari (Shirkooh)


TARTARUGAS PODEM VOAR
Bahman Ghobadi, Lakposhta hâm parvaz mikonand, Irã, 2004

A cidade inteira gira em torno de Satélite. Satélite é um menino de óculos que lhe tomam metade do rosto. Ele traz e instala antenas nos vilarejos entre a fronteira do Irã com o Iraque, tanto as convencionais quanto as parabólicas. Negociante precoce, ele arruma sustento para os órfãos curdos fazendo-os recolher minas americanas que ele posteriormente vende a um comerciante local. Além disso, Satélite também é o intérprete dos acontecimentos que estão prestes a ter lugar naquela localidade: estamos nas vésperas da invasão americana ao Iraque, e os anciãos do vilarejo instalam uma parabólica para tentar se antecipar à declaração de guerra e preparar-se para o pior. Satélite (pronúncia americana, "sateláit"), com suas duas ou três palavras em inglês, é a única pessoa que parece possivelmente capaz de desvendar a fala dos canais americanos que desencadeará a guerra. Tartarugas Podem Voar é um nome poético para designar dois percursos: o primeiro é o do menino self-made-man que venera tudo que é made in USA mas que perde tudo que tem por causa de coisas made in USA; o segundo é o percurso de uma mina que explode - um objeto semelhante a uma tartaruga encolhida que, ao contrário do animal, se abre quando alguém encosta nela, e voa, tirando pedaço daqueles que estão por perto.

Bahman Ghobadi, em seu terceiro longa, não abandona seu sadismo característico de estabelecer tensões emocionais a partir de aleijados e animais em situações delicadas e daí tentar extrair sentimentos "humanos" ou evocações humanitárias. Mas dessa vez o coquetel vem recheado de uma densidade inesperada, menos estética do que política. Antes dos Estados Unidos invadirem fisicamente as terras, pela presença das tropas, eles já invadiram todo o resto: o solo através das minas americanas, a língua através das saudações e das outras palavras que Satélite troca com seus parceiros de negócios, o imaginário a partir dos canais de televisão (tanto os canais permitidos quanto os "proibidos", os de música, de comportamento e de sexo), e até a prole, uma vez que o filho da menina Agrin foi concebido através de um estupro por soldado americano. Vendo nela uma pessoa tão solitária quanto ele, Satélite se apaixona por Agrin e completa enfim seus códigos e sua dependência em relação aos EUA: tudo que diz respeito a Satélite foi ou será tocado pela presença americana, da qual ele será – sem trocadilho – um satélite, e um satélite que servirá de astro maior a toda a comunidade, esta também tornada satélite do menino.

Tartarugas Podem Voar comove em alguma medida porque jamais nos impõe essa centralização. Vemos aos poucos que todo o entorno de Satélite vai sendo destruído pela mão imaterial americana, mas isso nunca é telegrafado diretamente para nós. É pela acumulação discreta de signos que podemos "ver" o que acontece. E "ver" tem um significado bastante específico no filme. "Ver" não é da natureza laica da visibilidade ocidental, mas do destino e do desígnio: Satélite precisa interpretar como um oráculo as imagens (que ele não entende) da televisão, mas, sabendo que ele não é nem oráculo e muito menos um verdadeiro intérprete, ele espera que um outro faça por ele a profecia (dessa vez uma verdadeira profecia) e ele possa, como falso oráculo, declarar a iminência da guerra. Seguem planos de helicópteros americanos chegando e distribuindo folhetos em que dizem que são a salvação do mundo, enquanto ao longo do filme vemos que os estilhaços deixados pela presença americana são de forma global a própria razão da penúria daquela gente. Poderosa arte de apenas mostrar, esperando que a síntese se faça somente na cabeça do espectador (assim como a relação tartaruga=mina), dando a ele a liberdade de entrar na história e ruminar por si próprio a complexidade de visões e interesses do qual o filme é questão. Satélite é um ditador? É um santo? É o porta-voz da desgraça ou a última chance de esperança? Mártir ou vilão? Bahman Ghobadi parece muito mais interessado na ambigüidade – que, no mais, é a dele próprio, de diretor com preocupações políticas mas também cheio de crueldade em filmar o que filma – do que na defesa cega de uma figura fácil demais de se identificar. Através de Satélite, repousa toda a problemática do cinema de Bahman Ghobadi e, especificamente, de Tartarugas Podem Voar, filme comovente em sua sinceridade formal e em sua falta de jeito estilística.

Ruy Gardnier

domingo, 28 de junho de 2009

Sessão Amigos do Cinema - 29 de junho

Meus amigos,
nesta segunda dia 29 de junho os Amigos do Cinema voltam a fazer sua sessão das 20 horas no Centro de Cultura da Estação Férrea, às 20hs.
Para esta segunda o programa é comosto por 6 curta-metragens brasileiros sobre a violência urbana produzidos entre 1998 e 2005, conforme sinopses e crítica abaixo.
Um abraço
Caco



A violência cotidiana, uma das maiores mazelas da sociedade brasileira, não podia ficar fora da mira dos nossos cineastas. E essa seleção de seis curtas-metragens sobre o tema mostra que ela está presente tanto nos grandes centros - caso dos cariocas Rota de colisão (Roberval Duarte) e Bala perdida (Victor Lopes), e dos paulistas O trabalho dos homens (Fernando Bonassi) e Balaio (Luiz Montes) - como em outras regiões do país, exemplificadas por João Pessoa (O cão sedento, de Bruno de Sales) e Cuiabá (Baseado em fatos reais, de Bruno Bini).


Filmes do Programa:
Bala Perdida
Victor Lopes , RJ, 2004
Balaio
Luiz Montes , SP, 2004
Baseado em Fatos Reais
Bruno Bini , MT, 2001
O Cão Sedento
Bruno de Sales , PB, 2005
O Trabalho dos Homens
Fernando Bonassi , SP, 1998
Rota de Colisão
Roberval Duarte , RJ, 1999

Tempo total aproximado do programa: 73 minutos.
Crítica

BANG-BANG NAS METRÓPOLES BRASILEIRAS
João Carlos Sampaio

Histórias que transportam para a ficção as ocorrências policiais dos grandes centros urbanos do país inspiram os seis curtas-metragens desta seleção, que reúne obras rodadas entre 1998 e 2005.

Dois atiradores de elite se posicionam no terraço de um prédio em São Paulo, aguardando a ordem para executar um seqüestrador. Enquanto esperam o momento de agir, conversas sobre comida e amenidades cotidianas povoam os diálogos de O trabalho dos homens (1998), de Fernando Bonassi. Ele trabalha o acessório como principal, tanto que a violenta ação em curso é vista à distância, numa inversão interessante do foco narrativo.

O curta carioca Rota de colisão (1999) trata do roubo de pedras preciosas, a partir do envolvimento de três personagens. Um operário em sua hora de folga, um garoto aficionado por jogo de gudes e um ladrão em fuga vão se encontrar na trama criada por Roberval Duarte. Ele filma em preto e branco, experimentando texturas. Com uma dramaturgia ultra-realista, não usa diálogos e brinca com as muitas variáveis para a solução da história.

Inspirado em conto do escritor Marçal Aquino, Balaio (2004) apresenta um tenso encontro no bar, que envolve matadores, bandidos e policiais. A ambientação lembra os filmes de faroeste, só que a terra-sem-lei dessa fita é o subúrbio paulistano, em pleno século 21. O diretor Luiz Montes divide a tela em vários quadros para sublinhar as ações simultâneas. O recurso aumenta a tensão da montagem e dá ênfase aos mínimos gestos dos personagens.
Uma locução radiofônica abre a narrativa de O cão sedento, curta paraibano assinado por Bruno de Sales, sobre um assassino em série, que rouba e mata sem deixar vestígios. Trabalha com elementos de suspense, revelando apenas ao espectador os subterfúgios do criminoso, enquanto a polícia e os outros personagens mostrados na trama continuam em busca de respostas. Destaque para o uso de intervenções gráficas, com desenhos que imitam histórias em quadrinhos.

Um exercício de montagem interliga os acontecimentos paralelos de Bala perdida (2004), cuja intersecção mais marcante se dá com a presença sonora de estampidos de tiros e de uma buzina de carro. A ação mostra a tranqüilidade numa praça carioca interrompida por disparos capazes de atingir alvos inocentes. A direção é de Victor Lopes, que levanta o tema sobre a crescente sensação de insegurança nas metrópoles.

Sexo, drogas, rock'n'roll e carros em velocidade preenchem o universo adolescente de Baseado em fatos reais (2001), curta matogrossense dirigido por Bruno Bini, que fecha este painel sobre a violência urbana. A fita recorre a clichês das tramas policiais para contar a história de três rapazes de classe média, cujas vidas são alteradas depois de uma noite de excessos. O filme discute a natureza moral do crime, dando à luz reflexões morais e uma crítica social à impunidade.

*João Carlos Sampaio, 37 anos é jornalista e crítico de cinema. Escreve para veículos impressos e atua também como comentarista em programas de rádio e TV.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

sessão de segunda-feira 29 de junho

Meus amigos,
nesta segunda-feira, dia 29 de junho, os Amigos do Cinema voltam a fazer sua sessão das 20 horas no Centro de Cultura da Estação Férrea.
Para esta segunda o programa é composto por 6 curta-metragens brasileiros sobre a violência urbana produzidos entre 1998 e 2005, conforme sinopses e crítica abaixo.
Um abraço
Caco Baptista



A violência cotidiana, uma das maiores mazelas da sociedade brasileira, não podia ficar fora da mira dos nossos cineastas. E essa seleção de seis curtas-metragens sobre o tema mostra que ela está presente tanto nos grandes centros - caso dos cariocas Rota de colisão (Roberval Duarte) e Bala perdida (Victor Lopes), e dos paulistas O trabalho dos homens (Fernando Bonassi) e Balaio (Luiz Montes) - como em outras regiões do país, exemplificadas por João Pessoa (O cão sedento, de Bruno de Sales) e Cuiabá (Baseado em fatos reais, de Bruno Bini).


Filmes do Programa:
Bala Perdida - Victor Lopes , RJ, 2004
Balaio - Luiz Montes , SP, 2004
Baseado em Fatos Reais - Bruno Bini , MT, 2001
O Cão Sedento - Bruno de Sales , PB, 2005
O Trabalho dos Homens - Fernando Bonassi , SP, 1998
Rota de Colisão - Roberval Duarte , RJ, 1999

Tempo total aproximado do programa: 73 minutos.

Crítica
BANG-BANG NAS METRÓPOLES BRASILEIRAS
João Carlos Sampaio

Histórias que transportam para a ficção as ocorrências policiais dos grandes centros urbanos do país inspiram os seis curtas-metragens desta seleção, que reúne obras rodadas entre 1998 e 2005.
Dois atiradores de elite se posicionam no terraço de um prédio em São Paulo, aguardando a ordem para executar um seqüestrador. Enquanto esperam o momento de agir, conversas sobre comida e amenidades cotidianas povoam os diálogos de O trabalho dos homens (1998), de Fernando Bonassi. Ele trabalha o acessório como principal, tanto que a violenta ação em curso é vista à distância, numa inversão interessante do foco narrativo.
O curta carioca Rota de colisão (1999) trata do roubo de pedras preciosas, a partir do envolvimento de três personagens. Um operário em sua hora de folga, um garoto aficionado por jogo de gudes e um ladrão em fuga vão se encontrar na trama criada por Roberval Duarte. Ele filma em preto e branco, experimentando texturas. Com uma dramaturgia ultra-realista, não usa diálogos e brinca com as muitas variáveis para a solução da história.
Inspirado em conto do escritor Marçal Aquino, Balaio (2004) apresenta um tenso encontro no bar, que envolve matadores, bandidos e policiais. A ambientação lembra os filmes de faroeste, só que a terra-sem-lei dessa fita é o subúrbio paulistano, em pleno século 21. O diretor Luiz Montes divide a tela em vários quadros para sublinhar as ações simultâneas. O recurso aumenta a tensão da montagem e dá ênfase aos mínimos gestos dos personagens.
Uma locução radiofônica abre a narrativa de O cão sedento, curta paraibano assinado por Bruno de Sales, sobre um assassino em série, que rouba e mata sem deixar vestígios. Trabalha com elementos de suspense, revelando apenas ao espectador os subterfúgios do criminoso, enquanto a polícia e os outros personagens mostrados na trama continuam em busca de respostas. Destaque para o uso de intervenções gráficas, com desenhos que imitam histórias em quadrinhos.
Um exercício de montagem interliga os acontecimentos paralelos de Bala perdida (2004), cuja intersecção mais marcante se dá com a presença sonora de estampidos de tiros e de uma buzina de carro. A ação mostra a tranqüilidade numa praça carioca interrompida por disparos capazes de atingir alvos inocentes. A direção é de Victor Lopes, que levanta o tema sobre a crescente sensação de insegurança nas metrópoles.
Sexo, drogas, rock'n'roll e carros em velocidade preenchem o universo adolescente de Baseado em fatos reais (2001), curta matogrossense dirigido por Bruno Bini, que fecha este painel sobre a violência urbana. A fita recorre a clichês das tramas policiais para contar a história de três rapazes de classe média, cujas vidas são alteradas depois de uma noite de excessos. O filme discute a natureza moral do crime, dando à luz reflexões morais e uma crítica social à impunidade.

*João Carlos Sampaio, 37 anos é jornalista e crítico de cinema. Escreve para veículos impressos e atua também como comentarista em programas de rádio e TV.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Sessão dia 22 de junho de 2009


Nossa sessão do dia 22 de junho, próxima segunda, ocorrerá no Cine Santa Cruz, no Shopping Imigrantes, às 21h20. O filme apresentado será Divã, baseado na obra da escritora gaúcha Martha Medeiros.
Brasil, 2009, Comédia, 93 min.
Sinopse:
Mercedes (Lília Cabral) é uma mulher casada e com dois filhos que, aos 40 anos, tem a vida estabilizada. Um dia ela resolve, por curiosidade, procurar um analista. Aos poucos ela descobre facetas que desconhecia, tendo que contar com o marido Gustavo (José Mayer) e a amiga Mônica (Alexandra Richter) para ajudá-la.

Mais informações no site oficial: www.divaofilme.com.br

sexta-feira, 12 de junho de 2009


Os Esquecidos, de Buñuel. Nesta segunda, 20 horas, na Estação.

Nesta segunda-feira, dia 15 de junho vamos projetar Os Esquecidos, de Luis Buñuel. Como todas as segundas, a sessão inicía às 20 horas, na Estação Férrea, e será segiuida de debate. Depois de termos visto Os Incompreendidos, de Truffaut, na última segunda, continuamos com a temática da vida e das dificuldades dos adolescentes pobres nas grandes cidades da metade do século passado. Estes filmes escancaram a incapacidade daquelas sociedades em lidar com seus adolescentes por meio de instituições como a escola ou os reformatórios. Nossa sociedade, nossa época, parece não conseguir ver as raízes, a historicidade e a amplitude da questão da inserção dos adolescentes na sociedade capitalista de meados do século XX.

Os Esquecidos é uma impressionante obra-prima do mestre espanhol Luis Buñuel (1900-1983), diretor dos memoráveis A Bela da Tarde, O Discreto Charme da Burguesia, O Anjo Exterminador, entre tantos outros.
O filme narra a vida de um grupo de meninos nos bairros pobres da Cidade do México nos anos 50. O adolescente El Jaibo foge do reformatório e volta para uma vida marcada pela miséria e falta de perspectivas. Ao lado de outros garotos, vive de pequenos assaltos até que se envolve num assassinato. O retrato realista do cotidiano dos menores abandonados serviu de inspiração para Hector Babenco realizar o inesquecível Pixote, a Lei do Mais Fraco.

Ficha técnica:
Título: Os Esquecidos (Los Olvidados )
Direção: Luis Buñuel
País de origem: México
Ano: 1950
Audio original: Espanhol
Trilha Sonora: Rodolfo Halffter, Gustavo Pittaluga
Duração: 77 minutos - Faixa etária: a partir de 14 anos - P&B
Elenco: Alfonso Mejía, Estela Inda, Miguel Inclán, Roberto Cobo, Alma Delia Fuentes, Francisco Jambrina, Jesús Navarro, Efraín Arauz, Sergio Villarreal, Jorge Pérez

Comentários:

Os Esquecidos
(Los Olvidados, 1950 - MEX)
Hector Babenco bebeu dessa fonte para realizar Pixote, bebeu não, embriagou-se, disso tenho certeza. Tamanha a proximidade das duas obras, excluindo-se o grande hiato temporal entre elas. O clássico de Luis Buñuel é menos urgente, e a violência cruel de sua época soa hoje como cócegas perto da infinidade de atrocidades que estamos acostumados a presenciar. Por outro lado aproxima-se bastante do que mais tarde Truffaut faria em Os Incompreendidos, aquela perda da inocência, a troca da ingenuidade pela necessidade extrema de sobrevivência num mundo que teima em tratá-los como subumanos, os esquecidos.
Um bando de garotos comete pequenos delitos na Cidade do México, Jaibo, o mais velho do bando conseguiu escapar do reformatório e volta a liderá-los. A história acompanha principalmente Jaibo e Pedro (um dos mais jovens que sofre com uma forte rejeição materna, a mãe não sabe como lidar com esse momento efervescente do filho e prefere rejeitá-lo). Pedro até tenta ajustar-se, arrumar emprego, mas a presença de Jaibo é crucial para que a sociedade o condene. Um assassinato muda de vez a vida desses garotos.
Os Esquecidos talvez seja o primeiro grande filme sobre esses delinqüentes de rua, sobre essa geração de garotos acostumados com a violência no seu percalço. Os garotos extrapolaram a violência pueril das brincadeiras entre os amigos para transformá-la numa forma de ganha-pão, ilícito, mas que lhes rendia uns trocados. Descobriram muito mais que um caminho sem volta. Buñuel impressiona pelo dinamismo que oferece aos seus personagens e na imparcialidade com que trata seus dramas, de tão realista quase transforma em documentário aqueles que seriam os tios de Pixote. Como o mundo não enxerga que meio-século se passou e a situação apenas se agrava?

Michel Simões on abril 13, 2006 8:44 AM
http://www.verbeat.org/blogs/michelsimoes/2006/04/os_esquecidos.html


Os Esquecidos
Tido como a verdadeira retomada de Luis Buñuel no universo do cinema, depois de um hiato de praticamente 20 anos, Os Esquecidos é prova de seu inconformismo com a sociedade, o que inclui até ele mesmo. O surrealismo que o marcou em início de carreira desaparece completamente para dar lugar a uma crítica social incisiva e contundente, numa crônica suburbana com personagens riquíssimos em sua aparente simplicidade. O centro do drama é o menino Pedro (Alfonso Mejía), um desgarrado que vive se metendo em encrencas com os amigos, em particular o delinqüente Jaibo (Roberto Cobo). Há esperança para esses garotos sem perspectiva? Sim, há, mas quem mais deveria fornecê-la está calejado por uma realidade cruel demais para fazê-lo.
O longa é sessão obrigatória para quem deseja conhecer a fundo o cinema de crítica social. Além disso, tal qual Bergman na Europa, filmes como este fazem parte de um grupo restrito: o dos trabalhos que transcendem o formato e alcançam o status de pura arte.
http://www.kollision.biz/movies/mov_files/mov_olvidados.htm

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Nesta segunda às 20 horas na Estação: Os Incompreendidos, de François Truffaut.

Nesta segunda, dia 8 de junho, os Amigos do Cinema exibirão, na sua sessão das 20 horas na Estação Férrea, o filme Os Incompreendidos, de François Truffaut.
Este filme é um dos marcos da nouvelle vague francesa e frequenta todas as listas dos melhores filmes de todos os tempos.

Ficha Técnica

Título Original: Les Quatre Cents Coups
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 99 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1959
Estúdio: Sédif Productions / Les Films du Carrosse
Distribuição: Cocinor
Direção: François Truffaut
Roteiro: François Truffaut e Marcel Moussy, baseado em estória de François Truffaut
Produção: François Truffaut
Música: Jean Constantin
Fotografia: Henri Decaë
Direção de Arte: Bernard Evein
Edição: Marie-Josèphe Yoyotte


Elenco
Jean-Pierre Léaud (Antoine Doinel)
Claire Maurier (Gilberte Doinel)
Albert Rémy (Julien Doinel)
Guy Decomble (Petite Feuille)
Georges Flamant (Sr. Bigey)
Patrick Auffay (Rene)
Richard Kanayan (Abbou)
Yvonne Claudie (Madame Bigey)
Robert Beauvais (Diretor da escola)
Jacques Monod (Comissário)
Pierre Repp (Professor de inglês)
Henri Virlojeux (Vigilante noturno)
François Truffaut



Sinopse
Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud) é o filho negligenciado de Gilberte Doinel (Claire Maurier), que parece ter tempo para tudo menos o bem-estar da criança. Julien Doinel (Albert Rémy) não é o pai biológico, mas cria o menino como se fosse seu filho. Gilberte está tendo um caso e não se surpreende quando, por acaso, Julien fica sabendo que Antoine não está indo à aula, pois ela sabia que na hora do colégio o filho a tinha visto com seu amante. A situação se agrava quando Antoine, para justificar sua ausência no colégio, "mata" a mãe. Quando seus pais aparecem na escola, a verdade é descoberta e Julien o esbofeteia na frente de seus colegas. Após isto ele foge de casa e arruma um lugar para dormir. Paralelamente seus pais culpam um ao outro pelo comportamento dele, após lerem a carta na qual ele se despede. No outro dia Antoine vai à escola normalmente. Lá sua mãe o encontra e se mostra preocupada por ele ter passado a noite em uma gráfica. Ela alegremente o aceita de volta, mas os problemas não acabam. Antoine se desentende com um professor, que o acusa de plagiar Balzac. Como ele odeia a escola, sai de casa de novo e para viver é obrigado a fazer pequenos roubos.



CRÍTICA
Truffaut faz manifesto de fluência e beleza em Os Incompreendidos

Nenhuma palavra é excessiva, nenhum corte é impreciso, nenhuma imagem supérflua em Os Incompreendidos (1959), o primeiro longa-metragem de François Truffaut, que volta hoje ao cinema em cópia nova. Assim, quando o professor zomba de um poema escrito na parede por Antoine Doinel, o personagem principal, dizendo que o menino de 13 anos quer ser poeta "sem saber distinguir um alexandrino de um decassílabo" e que ele "massacra a prosódia francesa", o endereço é um só. O professor encarna a "tradição de qualidade" do cinema francês, que, como crítico, Truffaut combateu com unhas e dentes.

O alvo de Truffaut eram os filmes que se davam por satisfeitos em buscar respeitabilidade em características externas a si mesmos, como origem literária, atores celebrizados no palco, cenografia dispendiosa. Contra o cheiro de mofo do cinema "nobre", Truffaut propunha um cinema abertamente plebeu, e muitas vezes descaradamente burguês.

Os Incompreendidos não foi o primeiro filme da Nouvelle Vague, mas Truffaut, aos 27 anos, o realizou com a convicção de que era um manifesto estético. Acossado, que Jean-Luc Godard lançaria alguns meses depois, completaria o serviço, e o cinema francês mudaria para sempre. Truffaut e Godard, que haviam sido os críticos mais destacados entre os "jovens turcos" da revista "Cahiers du Cinéma", escreveram juntos o argumento inicial dos dois filmes. Bem mais tarde, nos anos 70, os dois tiveram uma briga definitiva, mas cada um já tinha tomado rumo bem diferente daquele que um dia os havia unido. Quando Os Incompreendidos recebeu o prêmio de melhor direção no festival de Cannes, Godard fez a comemoração mais célebre. "Nós, como críticos, vencemos com o princípio de que um filme de Alfred Hitchcock é tão importante quanto um livro de Louis Aragon", escreveu. "Hoje a vitória é nossa". Eles, como críticos, tinham princípios ainda mais ousados. "Qualquer um pode ser diretor de cinema" e "só o amadorismo salvará o cinema" eram outros dos lemas de Truffaut e Godard em seus tempos heróicos.

Porque é um grande filme, mas também, talvez, porque o estado geral do cinema hoje em dia se preste a suscitar reações revoltadas como aquelas, Os Incompreendidos transcorre na tela com tanta fluência, tanta beleza, que humilha todos os outros filmes em cartaz. Truffaut conta a história de sua primeira adolescência, com uma ou outra alteração de fatos, mas todas as sensações intactas, sobretudo uma sensação de clandestinidade, a que sempre se referia - clandestinidade porque fugir da presença dos pais, e cuidar para que eles não percebessem, era sua atividade prioritária. Não havia refúgio mais completo, nem mais prazeroso do que os livros e o cinema.

Truffaut se sentia desprezado e odiado pela mãe, e tolerado pelo pai adotivo (como o de Doinel). Segundo ele, não era maltratado; era simplesmente "tratado". Dizia isso em entrevistas e disse também para o pai, numa carta furiosa enviada depois do lançamento de Os Incompreendidos, em resposta a outra, não menos furiosa, em que Roland Truffaut se queixava de ter, com a mulher, se tornado objeto de ódio nacional, por causa da exposição pública dos rancores de François.

Se o filme não se tornou uma ladainha de autocomiseração - longe disso -, em parte foi porque Truffaut encontrou um ator que foi também um autêntico colaborador. Ligeiramente inclinado à delinqüência, como Truffaut, Jean Pierre Léaud matou aula no dia em que compareceu ao teste para o papel, que foi sendo mudado para se adaptar a ele. Na história do filme, Truffaut entrou com muitos fatos - como o personagem, ele foi internado num reformatório pelo pai, roubou uma máquina de escrever, venerava Balzac e freqüentemenete era deixado sozinho em casa. Léaud entrou com um pouco do espírito. Truffaut dizia que seu ator (que faria o papel de Antoine Doinel em outros quatro filmes), por seu romantismo visceral, era um homem do século XIX.

Inimigo das generalidades categóricas e dos golpes de teatro, Truffaut evitou envolver Doinel e seus pais num clima de pesadelo de Dickens (a presença do escritor inglês está em outros elementos, como a mansão empoeirada em que mora seu amigo, saída diretamente de Grandes Esperanças). Doinel não sofre violência física, nem mesmo ameaças, e seus pais têm algumas das melhores características humanas. À mãe cabe a beleza: em sua primeira aparição tira as meias e deixa ver as belas pernas; mais tarde, explica ao filho o valor dos estudos (para que ele saiba escrever cartas) e, quando ele é enviado ao reformatório, pede que seja escolhido um lugar à beira do mar. Ao pai, cabe o humor. De ambos, Doinel tira indicações que o levarão aos livros e ao cinema. Quando ele foge de casa, dorme numa gráfica. À procura de uma liberdade que seus pais lhe dão pela metade, encontra na rua ninguém menos que Jeanne Moreau procurando um cachorrinho, e se deixa enfeitiçar imediatamente por ela.

Os Incompreendidos é dedicado a André Bazin, o crítico de cinema que recolheu Truffaut do reformatório e lhe deu a oportunidade de escrever para os "Cahiers". Bazin, a quem o cineasta considerava pai, morreu no primeiro dia de filmagens. Um pouco da fotografia altamente contrastada de Henri Decae, um pouco da gravidade do olhar de Léaud (congelado na seqüência final) transmitem a atmosfera de luto num filme que não poderia mesmo deixar de ser, simplesmente, triste. Mas Os Incompreendidos tem momentos muito engraçados, em especial a maioria das cenas na sala de aula, e outros de enorme encantamento, todos diretamente relacionados ao mundo do espetáculo: o carrossel que parece uma lanterna mágica, o teatro de fantoches, a alegre volta do cinema no carro do pai. Com esta estréia, Truffaut conseguiu o raro feito de transformar admiração em arte, encontrar a própria voz em meio a um emaranhado de referências externas. Foi em Jean Vigo e Roberto Rossellini que ele encontrou a inspiração que procurava, para combater a sofisticação e o sentimentalismo, como diria depois.

Márcio Ferrari/ Investnews-Gazeta Mercantil

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Sessão dos Amigos do Cinema dia 01/06/09

Sessão dos Amigos do Cinema dia 01/06/09
Local: Centro de Cultura da Estação Férrea
Hora: 20 horas


Filme: TIME, de Kin Ki Duk

Após a sessão ocorre debate com os espectadores e a diretoria do cineclube

Sinopse
A insegurança de Se-hui (Park) na relação com Ji-u (Ha) leva-a a comportamentos histéricos e embaraçosos em locais públicos. Convencida que o namorado está farto dela, decide afastar-se para fazer uma operação plástica. Ji-u continua à espera do regresso de Se-hui, desconhecendo que ela mudou de fisionomia. Entretanto, é tentado por outras mulheres, incluindo a nova empregada da coffee shop que frequenta, Sae-hui (Seong).


Ficha Técnica
Título Original: Shi Gan
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 97 minutos
Ano de Lançamento (Japão / Coréia do Sul): 2006
Estúdio: Kim Ki-Duk Film / Happinet Pictures
Distribuição: California Filmes
Direção: Kim Ki-Duk
Roteiro: Kim Ki-Duk
Produção: Kim Ki-Duk
Música: Noh Hyung-Woo
Fotografia: Sung Jong-Moo
Desenho de Produção: Choi Keun-Woo
Edição: Kim Ki-Duk

Elenco
Ha Jung-Woo (Ji-Woo)
Park Ji-Yeon (Seh-Hee)
Kim Sung-Min (Cirurgião plástico)
Seo Yeong-Hwa
Kim Ji-Heon


Comentário por Eric Novello
Time é mais uma obra instigante do cineasta coreano Kim-Ki-Duk. Dessa vez, a brincadeira com linguagem começa no título. Time é o loop criado com o início e o fim do filme, é a paranóia com idade e a obsessão por plásticas, é a idéia de que as pessoas enjoam uma das outras com o passar do tempo, a dificuldade de seguir adiante.
Kim-Ki-Duk sempre trabalha com o conceito de ausência. O que não está tem por vezes mais importância do que o que podemos ver ou ouvir. Em Primavera, verão, outono, inverno… primavera já havia o conceito do cíclico, como o nome indica. O filme se passava em uma cabana no meio de um lago dentro de uma grande floresta, e a ausência de civilização criava a ausência das palavras. Casa vazia trouxe o silêncio para o meio da cidade, e ao fugir do cenário da natureza, a ausência do som se potencializou. São raras as falas, e não há adequação dos personagens ao meio. O grande objetivo do personagem principal é ser invisível, a expressão máxima da ausência para um ator. O arco, seu trabalho seguinte, extrapolou o silêncio, mas o devolveu para o cenário bucólico. Ficou então a pergunta, o que Kim-Ki-Duk faria em seu próximo filme? Time é um filme verborrágico na maior parte do tempo. As pessoas não só gostam de se comunicar, como têm na fala uma arma contra o mundo. É pela fala que identificamos o ciúme exagerado da protagonista e suas paranóias. Pelos seus escândalos (cômicos) somos informados do seu estado psicológico fragilizado. É dela que virá a primeira grande ausência do filme, a da imagem. Certa de que o namorado enjoou de seu rosto, ela resolve fazer uma plástica. A transformação externa assume-se como símbolo do vazio interior. Após a cirurgia – e sim, o diretor nos brinda com uma cena aterrorizante de cirurgias plásticas reais, os cortes são inacreditáveis e desagradáveis, mas só aparecem uma vez, o suficiente para gerar impacto e reflexão – a personagem decide desaparecer por seis meses, até poder tirar a atadura. Esvazia o apartamento e some sem avisar ao namorado. Na maior parte do filme acompanhamos o namorado e sua solidão, a descoberta da plástica e a neurose crescente por saber que qualquer mulher ao redor pode ser o seu amor perdido. A ausência flerta com o real e vira uma crítica à perda de identidade no hipermodernismo. Passado entre o centro da cidade e um bosque com esculturas eróticas deformadas, Time não é um filme para qualquer um (Kim-Ki-Duk nunca foi), é um filme para quem gosta de cinema e sente a necessidade urgente de entendê-lo. Nele, nada é mastigado e tudo parece fruto do acaso, mas não existe nada mais trabalhoso e estudado do que o processo de parecer simples na tela do cinema. (Eric Novello é escritor e roteirista, formado no Instituto brasileiro de audiovisual - Escola de cinema Darcy Ribeiro)

Premiações
- Ganhou o prêmio de Melhor Ator (Ha Jung-Woo), no Fantasporto.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Seminário Estadual para Auto-Sustentabilidade Cineclubista/RS

Circuito em Construção
Seminário Estadual para Auto-Sustentabilidade Cineclubista/RS

Data: 05 de junho de 2009
Local: Auditório João Miguel de Souza – Centro Cultural Cesma
Cooperativa dos Estudantes de Santa Maria Ltda – CESMA – Santa Maria/RS

Apresentação:
O advento do novo século trouxe consigo tanto o aperfeiçoamento quanto o barateamento das tecnologias digitais de captação, manipulação, armazenamento e exibição de filmes. Neste ultimo campo, a exibição sem fins lucrativos, ou seja, o cineclubismo experimenta uma verdadeira ebulição, tendo o Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros contabilizado mais de 300 ações por todo o país. Em um contexto em que muitos desses cineclubes começam a completar meia década de vida, é preciso contribuir para o amadurecimento do movimento rediscutindo e reelaborando suas atividades através dos conceitos de Auto-Sustentabilidade e Economia da Cultura.

O Brasil conta hoje, com pouco mais de 2 mil salas comerciais de cinema concentradas no Rio de Janeiro e São Paulo que conferem pouca visibilidade aos filmes nacionais e praticam ingressos caríssimos. O cineclubismo é, portanto, a via natural para esta produção. Por meio da construção de um circuito sustentável de exibição audiovisual espalhado por todo o país, o projeto é que o público possa ter garantido seu acesso gratuito, e que produtores, realizadores e distribuidores possam ser remunerados por seus trabalhos, e de modo a, inclusive, se assegurar a continuidade da oferta cultural.

Em consonância, portanto, com os princípios da Convenção Sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais e os propósitos do Programa Mais Cultura, e em um momento em que a “Cultura” alcança o status de campo estratégico dentro das políticas de Estado – para a produção, a circulação o acesso e o consumo de atividades, bens e serviços culturais se realizam -, a criação de um modelo sustentável, em rede, é ação prioritária.

Para tanto, a Associação Cultural Tela Brasilis realizou, de 10 a 12 de julho de 2008, no Rio de Janeiro, a segunda fase do projeto Circuito em Construção – Seminários Estaduais para a Auto-Sustentabilidade Cineclubista. A primeira etapa do projeto aconteceu na Feira Livre – Feira Audiovisual do Rio, de 6 a 8 de março de 2008, quando foram realizadas as primeiras mesas de debate sobre os temas aqui em questão, e onde se estabeleceu, pela primeira vez, uma Feira de Negócios direcionada ao produtor audiovisual independente e de pequeno porte, configurando, já, uma iniciativa da auto-sustentabilidade. A etapa posterior ao Seminário Nacional no Rio de Janeiro está sendo a reprodução deste encontro nos demais estados brasileiros. O conhecimento adquirido pelos participantes e o material didático formulado a partir das palestras e debates, tanto da Feira quanto do Seminário, estão utilizados para a promoção dos eventos locais.

Como no cineclubismo desembocam diversas questões que permeiam o universo do audiovisual, convidamos para as mesas produtores, realizadores, difusores, distribuidores e representantes de associações de classe do cinema. Para o fortalecimento do cineclubismo nos estados, a proposta é focar em temas como “leis de incentivo” e “programação” além do incentivo à constituição de Federações Estaduais. Assim, este projeto Circuito em Construção tem o compromisso de desenvolver ambiente para que agentes de produção, distribuição e, sobretudo, exibição audiovisual possam desempenhar suas atividades sob a lógica da Economia da Cultura, através do fortalecimento dos pontos de exibição sustentados existentes e o estímulo à criação de outros.

Associação Cultural Tela Brasilis


A realização do Seminário Estadual para Auto-Sustentabilidade Cineclubista/RS é uma é uma co-realização da Cooperativa dos Estudantes de Santa Maria Ltda- CESMA, Cineclube Lanterninha Aurélio, Associação Cultural Tela Brasilis e Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros, e integra a programação dos 31 anos da CESMA, através do Programa Seminário Permanente de Cultura.

9h – inscrições e cadastramento dos participantes

MESA 01 – 9h30min
Distribuição de Conteúdos
Luiz Alberto Cassol
Vice-Presidente do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros
Catálogo Cinesud & Cinemateca Carlos Vieira
Frederico Cardoso
Coordenador do Cine + Cultura
Programadora Brasil
Mediador: Paulo Henrique Teixeira – Cineclube Lanterninha Aurélio

12h30min – intervalo para almoço

MESA 02 – 14h
Direito Autoral & Constituição de Redes

Antonio Martins
Jornalista, Editor do Le Monde Diplomatique Brasil, na internet (1999-2008)
Gilvan Dockhorn
Diretor Regional do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros
Mediador: Leonardo Foletto – Jornalista

17h - café

MESA 03 – 17h30min
Leis de Incentivo & Sustentabilidade.

Rosane Maria Dalsasso
Representação Regional Sul do Ministério da Cultura
Nova Lei Rouanet e Programa Cultura Viva
Josias Ribeiro
Secretaria de Município da Cultura de Santa Maria
Lei de Incentivo Estadual e Municipal
Eduardo Ades
Associação Cultural Tela Brasilis
Sustentabilidade Cineclubista
Mediadora: Cristina Jobim – Produtora Cultural

20h – Coquetel de Confraternização

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Sessão 25 de maio de 2009


Estamos retomando nossas atividades em 2009, informamos que nossas sessões, conforme acordado na assembléia do dia 18, ocorrerão na segundas-feira, no Centro Cultural José Francisco Frantz (Estação Férrea), às 20hs, com direito a debate após a sessão. Eventualmente pretendemos fazer sessões em outros dias da semana.

Em nossa próxima sessão, dia 25 (segunda) de maio, apresentaremos o filme ANA E OS LOBOS. Seguem algumas informações:
FICHA TÉCNICA
Direção: Carlos Saura
Elenco: Geraldine Chaplin, Fernando Fernán Gómez, José María Prada, José Vivó, Rafaela Aparicio, Charo Soriano, Marisa Porcel, Anny Quinas, Nuria Lage, María José Puerta, Sara Gil
Gênero: Drama
País: Espanha
Duração: 102min
Ano Original: 1973

SINOPSE
Ana e os Lobos é uma obra dirigida por um dos mais importantes diretores da Espanha, Carlos Saura. Severo crítico da ditadura de Franco, Saura criou para o cinema belas histórias, premiadas nos principais festivais internacionais.
Nesta obra-prima, Ana (Geraldine Chaplin) é uma jovem contratada para trabalhar como governanta em uma mansão no campo da Espanha. Mas sua beleza aguça o desejo deprimido de três irmãos que vivem na casa: o místico Fernando (Fernando Fernán Gómez), que representa a Igreja Católica; José (José Maria Prada), o Exército e Juan (José Vivo), o sexo oprimido. Em silêncio, Ana nada faz para impedi-los e passivamente se submete aos desejos dos seus senhores, assim como o inocente povo espanhol durante o período franquista. Um filme impressionante, comovente e sensível.


CRÍTICA
ANA E OS LOBOS

“Ana e os Lobos” (1972) é um marco na história do cinema latino na medida em que revelou, para os brasileiros, um dos mais importantes diretores do cinema espanhol dos últimos tempos; refiro-me ao cineasta Carlos Saura.
A personagem Ana (Geraldine Chaplin, filha de Charles Chaplin e ex-mulher do diretor Carlos Saura) é a governanta que chega à mansão de uma velha e decadente família burguesa espanhola. Ali, ela se envolve com três irmãos: o místico Fernando, que se isola do universo social qual um eremita e, além disso, é predestinado a transes de levitação; José, um colecionador de relíquias do “exército que governa” a mansão com arrogância e prepotência; e Juan, escrevinhador de cartas obscenas, que tenta, a todo custo, seduzir Ana; aliás, cada um dos irmãos, de alguma maneira, pretende possuí-la. Juan deseja o corpo de Ana, Fernando quer cortar os cabelos da governanta, e José pretende dominá-la a exemplo de um soldado.
É preciso ressaltar que o roteiro de “Ana e os Lobos” ficou, por mais de um ano, proibido pela polícia e pela censura da ditadura do general Francisco Franco, que varreu o território espanhol de 1939 a 1975. Uma das maneiras para se conferir o filme é observá-lo como um quadro alegórico da Espanha franquista. Nesse sentido, os personagens-protagonistas, em seu conjunto, representam, alegoricamente, por um lado, as três grandes forças que dominavam a Espanha de Franco: Fernando representa a Igreja Católica; José representa o exército; e Juan representa a sexualidade reprimida. De outra parte, Ana, a vítima inocente, o cordeirinho, representa o próprio povo espanhol sob o jugo da ditadura franquista.
O cineasta Carlos Saura não esconde que detesta os “três lobos”, buscando, sem qualquer piedade, estereotipar cada um dos irmãos. José, por exemplo, foi criado como menina até a primeira comunhão; na idade adulta, adquiri o hábito de travestir-se.
“Ana e os Lobos” é arte cinematográfica e uma lição de como dizer e contestar um estado de coisas indiretamente mediante o emprego da linguagem alegórica; exemplos desse recurso procedente do tropos lingüístico proliferam na poética musical de Chico Buarque de Holanda, cujo elenco de canções de renome (sobretudo entre o final dos anos 60 e durante os anos 70) obtive (pasmem, quanto a esta bela contradição!) grande sucesso durante a vigência das indecorosas censuras instauradas pela ditadura militar no Brasil. Por fim, como já afirmaram, “Ana e os Lobos” é um filme que impressiona, comove e sensibiliza. É preciso conferi-lo! Sobretudo, nós, brasileiros, que precisamos reavivar a memória daquilo que aconteceu, num passado recente, em nosso país: dos brasileiros que sofreram muitas coisas por nós, dos nossos irmãos que participaram do sofrimento das torturas, dos choques elétricos ou amarrados em “pau-de-arara”... de todos os inocentes que, por nós, morreram nas prisões de um Brasil-Estado Autoritário, de uma Nação Demente, de um Brasil-Casa-dos-Horrores do DOPS, de um Estado Assassino, de uma Nação-Latrina regida pela podridão do autoritarismo, de um “Brasil Nunca Mais!”!

PROF. DR. SÍLVIO MEDEIROS
Doutor em Filosofia e História da Educação pela UNICAMP
primavera de 2005


sexta-feira, 8 de maio de 2009

Nova assembléia

EDITAL DE CONVOCAÇÃO

ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA

ASSOCIAÇÃO AMIGOS DO CINEMA DE SANTA CRUZ DO SUL

A ASSOCIAÇÃO AMIGOS DO CINEMA DE SANTA CRUZ DO SUL, por seu Presidente, no uso de suas atribuições legais e estatutárias, convoca seus associados a comparecerem à Assembléia Geral Ordinária que se realizará no Centro de Cultura Jornalista Francisco José Frantz (antiga Estação Férrea), à Rua Ernesto Alves, nº 817 , no dia 18 de maio de 2009, às 19h30 hs, em primeira convocação, e às 19 h. 45 min., em segunda e última convocação, para deliberar sobre os seguintes temas


  1. Eleição da Diretoria

Santa Cruz do Sul, 08 de maio de 2009.

Marcos Moura Baptista dos Santos

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Nova assembléia

EDITAL DE CONVOCAÇÃO

ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA

ASSOCIAÇÃO AMIGOS DO CINEMA DE SANTA CRUZ DO SUL

A ASSOCIAÇÃO AMIGOS DO CINEMA DE SANTA CRUZ DO SUL, por seu Presidente, no uso de suas atribuições legais e estatutárias, convoca seus associados a comparecerem à Assembléia Geral Ordinária que se realizará no Centro de Cultura Jornalista Francisco José Frantz (antiga Estação Férrea), à Rua Ernesto Alves, nº 817 , no dia 04 de maio de 2009, às 19h30 hs, em primeira convocação, e às 19 h. 45 min., em segunda e última convocação, para deliberar sobre os seguintes temas


  1. Eleição da Diretoria

Santa Cruz do Sul, 06 de abril de 2009.

Marcos Moura Baptista dos Santos